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Grupo de investidores deverá fazer proposta pelo controle da Oi

Banco americano ACGM, que faz parte do consórcio, conversa com fundos e quer negociar desconto com credores

Por Monica Scaramuzzo
Atualização:

Um grupo de investidores – formado por João Cox (ex-presidente da Claro); Mario Cesar de Araújo (ex-presidente da TIM); Renato Carvalho, da empresa de reestruturação de empresas Íntegra; e o banco de investimento americano ACGM – pretende fazer uma proposta oficial para a compra do controle da operadora Oi nas próximas semanas, apurou o Estado.

O banco ACGM, responsável por atrair os investidores, está em conversas avançadas com fundos interessados em fazer parte desse grupo, segundo fontes. O banco tem fundos especializados em ativos “estressados” (problemáticos) na América Latina. Um deles tem exposição na Argentina. No Brasil, o banco investe em ações de empresas listadas na Bolsa. Procurado, o ACGM não quis comentar a operação em curso da Oi.

Nenhum sócio detém hoje o controle da Oi Foto: Felipe Rau/Estadão

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“O objetivo é ter o controle da companhia e tornar a negócio rentável. Não dá para ser mais um acionista, neste caso. A expectativa é fazer uma reestruturação na operadora”, disse uma pessoa a par do assunto.

Uma das alternativas desse grupo seria comprar a dívida da Oi com desconto dos “bondholders” (detentores de títulos), que respondem por mais de 70% das dívidas financeiras da tele (que somam R$ 50 bilhões). A dívida total da Oi, que entrou com pedido de recuperação judicial em 20 de junho, é de R$ 65,4 bilhões.

A entrada desse controlador não seria com injeção de dinheiro novo, mas por conversão de dívidas em ações – uma transação estimada entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, ainda segundo fontes.

As conversas desse grupo para investir na Oi começaram antes de a operadora brasileira – a grande aposta do governo e “campeã nacional” – entrar em recuperação judicial.

O avanço das negociações, contudo, vai depender do processo de reestruturação da Oi. A expectativa é de que o plano de reestruturação seja apresentado (e aprovado) até o mês que vem. A entrada desse grupo de investidores – e de outros possíveis interessados – tem de ser aprovada pelo conselho da companhia.

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Em fevereiro, o fundo L1, do empresário russo Mikhail Fridman, desistiu de fazer aporte de até US$ 4 bilhões na Oi, operação que estava condicionada à fusão com a TIM. O investidor egípcio Naguib Sawiris também já teria manifestado interesse na operadora.

Ontem, as ações ordinárias da Oi subiram 8,6%, para R$ 3,03, e as preferenciais tiveram alta de 13,3%, a R$ 2,38, impulsionadas pela possível entrada de novos investidores na tele.

Procurado pelo Estado, João Cox, informou apenas que o grupo mantém o interesse em investir na companhia.

Está prevista para esta sexta-feira, 22, assembleia para rever a composição do conselho de administração da Oi – a principal acionista, Pharol, tem o maior número de membros. A convocação veio da Societé Mondiale, que representa o fundo Bridge, ligado ao empresário Nelson Tanure, dona de quase 7% da Oi, e discorda da composição.

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