Grupo de petrolíferas monta força-tarefa para conter vazamentos

Exxon Mobil, Chevron, Royal Dutch Shell e ConocoPhilips devem formar joint venture para produzir um sistema contra acidentes em águas profundas, diz 'WSJ'

André Lachini, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 17h26

Quatro das maiores empresas petrolíferas do mundo estão criando uma força-tarefa para conter vazamentos de petróleo nas águas profundas do Golfo do México, numa tentativa de bilhões de dólares para reconquistar a confiança da administração norte-americana, após o desastre com a plataforma Deepwater Horizon da BP.

A Exxon Mobil Corp., Chevron Corp., Royal Dutch Shell Plc, e ConocoPhilips deverão anunciar na quinta-feira que formaram uma joint-venture para desenhar, construir e operar um sistema de resposta rápida para capturar e armazenar até 100 mil barris de petróleo, que vier a vazar em até 3 mil metros de profundidade marítima, informa o Wall Street Journal.

O sistema, que consiste numa série de navios coletores de petróleo e num equipamento submarino de contenção, parece com o desenvolvido pela BP durante os três meses de tentativas e erros da petrolífera britânica, após a explosão da plataforma Deepwater Horizon em 20 de abril.

A BP, a qual ainda está engajada em seu esforço prolongado para conter o vazamento de petróleo e limpar as águas, não recebeu convite para integrar a força-tarefa. "Nós não queremos distraí-los", disse Rex Tillerson, executivo-chefe da Exxon, que lidera a engenharia e a construção do novo sistema.

Mas a BP, assim como outras empresas que operam no Golfo, poderá ser capaz de usar a força-tarefa.

As petrolíferas informaram que farão um investimento inicial de US$ 1 bilhão na força-tarefa sem fins lucrativos, a qual elas chamaram de Companhia de Contenção de Poços Marítimos. Mas a tarefa de construir um sistema e ter tripulações para operá-lo em constante alerta por anos poderá significar bilhões de dólares.

A Exxon afirma que o sistema de contenção deverá estar pronto em 18 meses. A tarefa primordial do sistema será evitar que o petróleo vaze no mar na eventualidade de uma explosão catastrófica. A equipe de resposta imediata deverá ser capaz de se mobilizar em 24 horas a partir de um vazamento e estar totalmente no local em semanas, disse Sara Ortwein, vice-presidente de projetos de engenharia da Exxon, que chefia o esforço de design e construção.

Em 12 de julho, o governo americano reimpôs uma moratória à exploração de petróleo em águas profundas, a qual contou com veemente oposição das petrolíferas, mas que foi justificada por Washington como necessária para garantir que o processo de perfuração seja seguro.

O novo sistema "claramente vai de encontro" às preocupações sobre a capacidade da indústria em lidar com vazamentos enormes, mesmo que tanto a Exxon quanto a indústria petrolífera em geral assegurem que esses eventos são previsíveis, afirmou Tillerson em entrevista. As informações são da Dow Jones.

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