Grupo Espírito Santo negocia acordo com credores para evitar calote à PT

Empresa do grupo precisa pagar € 897 milhões à Portugal Telecom entre esta terça e quinta-feira

Fernando Nakagawa, enviado especial , O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2014 | 23h19

LISBOA - Em meio à dívida de € 897 milhões que tem de ser paga à Portugal Telecom (PT) entre esta terça e quinta-feira, o Grupo Espírito Santo discute um grande plano de reestruturação. Fonte que acompanha as negociações informou ao Estado que o pedido de recuperação judicial de algumas empresas da holding e a renegociação de dívidas são as principais opções sobre a mesa. A solução deve atingir diretamente a PT, que está em processo de fusão com a brasileira Oi. 

Em meio à tensão crescente nas negociações, acionistas e credores correm para tentar chegar a um acordo nas próximas horas. As partes tentam conciliar interesses com o objetivo de evitar o anúncio de um calote do grupo português. Quem está sob a maior pressão é o braço de investimentos não financeiros Rioforte, empresa que tomou empréstimo da PT e precisa devolver € 847 milhões hoje e € 50 milhões na quinta. Além da operadora portuguesa, executivos da brasileira Oi acompanham essas negociações em Lisboa. 

Sem dinheiro em caixa para pagar a PT, o grupo tenta articular o pedido de recuperação judicial e a costura de acordos para alongar dívidas, segundo a fonte. Para evitar o prejuízo que se aproxima do bilhão, a operadora portuguesa também demonstra forte interesse em chegar a um acordo. Para isso, porém, a operadora exige garantias. 

Além da Rioforte, a Espírito Santo International (ESI) e o Espírito Santo Financial Group (ESFG) estão entre as empresas que precisariam de respaldo judicial para continuar em operação. ESI e ESFG fazem parte do controle da maior instituição financeira privada do país, o Banco Espírito Santo (BES). 

Durante as negociações que se arrastam há dias, uma das poucas ofertas feitas pelo grupo português aos sócios e credores é a venda de ativos. A holding tem investimentos em empresas de diversos setores - da hotelaria à energia. Uma das subsidiárias que já estão em negociação é a rede de hotéis Tivoli.

Essa proposta de ampla reestruturação aparece como cartada final para tentar conter a disparada da desconfiança dos investidores e a sangria vista nas ações da principal empresa do grupo, o Banco Espírito Santo. Mesmo com a chegada de uma nova diretoria independente ontem, as ações do banco caíram 7,48% na Bolsa de Lisboa.

Fusão. Com a incerteza sobre o futuro do grupo português, a agência de classificação de risco Moody’s informou ontem que eventual calote da Rioforte pode atrasar a fusão entre PT e Oi. “Se a Rioforte anunciar inadimplência nos papéis de posse da PT, a Oi pode atrasar a fusão porque os acionistas (da brasileira) podem questionar os termos da troca de ações”, dizem os analistas.

Diante da corrida contra o relógio para evitar o calote, o drama da família Espírito Santo só aumenta. Nesta segunda-feira, a ESFG (empresa que representa a família nos negócios financeiros) foi obrigada a vender 4,99% do capital do BES para quitar empréstimo tomado com o banco japonês Nomura. A venda das ações foi realizada com desconto de quase 30% sobre o preço da sexta-feira. Ou seja, o comprador rejeitou pagar o preço de mercado mesmo após a queda de quase 40% dos papéis em seis dias. 

Assim, a família passou a deter 20,1% do capital do BES. A quase totalidade dos papéis não pode ser negociada porque a ESFG tomou créditos no ano passado e entregou 20% das ações do banco como garantia. Em outras palavras, o clã que já foi sinônimo de banco em Portugal tem efetivamente liberdade para negociar apenas 0,1% do capital da instituição financeira. 

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