Ari Ferreira/Estadão
Assaí vai transformar hipermercados Extra em Atacarejos. Ari Ferreira/Estadão

Grupo Pão de Açúcar ganha R$ 883 mi em valor de mercado após negócio com Assaí

Ações da companhia fecharam com forte alta de 11,85%, a maior da Bolsa brasileira; acordo prevê a conversão de lojas Extra Hiper, operadas pelo GPA, em atacarejos

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2021 | 11h56
Atualizado 15 de outubro de 2021 | 20h31

O acordo com o Assaí anunciado na quinta-feira, 14, pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) agradou ao mercado e contribuiu para um ganho de R$ 883 milhões de valor de mercado para o varejista, totalizando R$ 8,337 bilhões. Após começarem o dia com alta de mais de 18%, as ações do GPA fecharam com forte alta de 11,85%, a maior da Bolsa brasileira

Em contrapartida, as ações do Assaí caíram 1,79%. O negócio prevê a conversão de lojas Extra Hiper operadas pelo GPA em atacarejos, que passarão a ser operados pelo Assaí. O GPA vai receber um valor total estimado de R$ 5,2 bilhões.

Para o Citi, a venda de 71 lojas Extra Hiper para o Assaí e consequente conversão das demais lojas para outros formatos são dois movimentos positivos para o GPA. Em relatório, os analistas João Pedro Soares e Felipe Reboredo destacam que o acordo põe fim a um formato que vinha apresentando baixo desempenho em termos de crescimento de vendas e margens, enquanto acumulava R$ 5,2 bilhões em receitas antes dos impostos (estimativa de R$ 4 bilhões após os impostos) que ajudará a acelerar a desalavancagem e permite investimentos em formatos de crescimento mais rápido e no digital.

Para o Assaí, a mudança adiciona 71 lojas às atuais 187 unidades. As novas lojas têm cerca de 7 mil a 8 mil metros quadrados de área contra a média de 5,5 mil metros quadrados dos atacarejos do Assaí.

Para a XP, o memorando assinado entre GPA e Assaí pode parecer caro à primeira vista, mas após algumas análises, a casa concluiu que a operação agrega valor mesmo sob premissas conservadoras. Em relatório, os analistas Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday ressaltam que a operação deve acelerar o plano de expansão do Assaí, adicionando localizações estratégicas, espalhadas por várias capitais brasileiras e grandes cidades, com pouca ou nenhuma sobreposição de lojas com o parque atual do Assai.

"Acreditamos que as lojas maiores devem permitir ao Assaí oferecer uma experiência melhor, com maior sortimento de produtos e ofertas de alguns serviços, como açougue, por exemplo", destacam.

Para o CEO do GPA, Jorge Faiçal, a operação representa uma oportunidade única de intensificar o foco e a aceleração da expansão dos negócios de maior rentabilidade da companhia por meio dos segmentos premium e de proximidade, notadamente com as bandeiras Pão de Açúcar, Minuto e Mercado Extra, além de reforçar a posição de liderança do GPA no varejo e e-commerce alimentar no País.

Em teleconferência com investidores nesta sexta-feira, 15, o executivo disse que a venda dos pontos comerciais do Extra Hiper e a descontinuação da bandeira de hipermercados devem levar o grupo a um patamar de maior margem Ebitda (lucro operacional). "Em 3 anos, mais de 60% da receita virá do Pão de Açúcar, e-commerce e proximidade", afirmou o executivo. /COLABOROU LUÍSA LAVAL

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Assaí compra 71 lojas da rede Extra por R$ 5,2 bi e vai acabar com a marca de hipermercados

Com a conversão das unidades em atacarejo, a bandeira de hipermercados do Grupo Pão de Açúcar (GPA) deixará de existir; o Assaí quer ampliar a receita desses pontos - que hoje é de R$ 8,9 bilhões - para cerca de R$ 25 bilhões

Marcia Furlan e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2021 | 21h34
Atualizado 15 de outubro de 2021 | 20h30

O Assaí vai comprar as lojas da bandeira Extra, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar (GPA). O acordo prevê a conversão de 71 unidades da bandeira de hipermercados no formato de atacarejo. O GPA vai receber R$ 5,2 bilhões na operação. A bandeira Extra Hiper será descontinuada, representando a saída do GPA desse segmento.

Nesta sexta-feira, 15, após começarem o dia com alta de mais de 18%, as ações do GPA fecharam com forte alta de 11,85%, a maior da Bolsa brasileira. Em contrapartida, as ações do Assaí caíram 1,79%.

A transação é uma espécie de ação entre amigos, já que tanto o Assaí quanto o GPA são controlados pelo gigante francês Casino.  Porém, por ser muito mais lucrativa do que o restante do grupo, a operação do atacarejo foi desmembrada do GPA, ao qual pertencia. Isso ocorreu justamente para evitar que o Assaí fosse “contaminado” pelas operações pouco lucrativas do conglomerado – sendo a do hipermercado Extra uma das mais desafiadoras. As lojas devem passar ao Assaí em janeiro de 2022.

Com a emergência do atacarejo – segmento que tem como líder o Atacadão, que pertence ao Carrefour Brasil –, analistas de varejo têm há alguns anos apontado que o formato de hipermercado perdeu ímpeto. O próprio presidente do GPA, Jorge Faiçal, afirmou nesta quinta-feira, 14, que o “atacarejo tem se transformado no novo hipermercado do brasileiro”. Em 2018, o Walmart – consagrado no exterior por suas grandes lojas – deixou o País diante de resultados ruins com seus hipermercados. 

Em comunicado, Faiçal disse que a transação representa uma oportunidade de intensificar o foco dos negócios do conglomerado nos segmentos premium, com as bandeiras Pão de Açúcar, Minuto e Mercado Extra. Já Belmiro Gomes, do Assaí, argumentou que a operação irá acelerar a expansão do formato de atacarejo. Segundo ele, as bandeiras têm hoje baixa sobreposição de lojas.

O Assaí vai ganhar cerca de 450 mil metros quadrados de área de vendas que estão localizadas em capitais ou regiões metropolitanas. A expectativa é de que as lojas, que têm hoje cerca de R$ 8,9 bilhões de faturamento anual, passem a R$ 25 bilhões depois da conversão para Assaí. Com a compra e a expansão orgânica, Gomes espera chegar a R$ 100 bilhões de faturamento no fim de 2024.

Lojas do Extra Hiper estão em pontos cobiçados

A localização das lojas é um ponto alto, disse Gomes. “Embora o mercado de atacarejo tenha avançado muito nos últimos anos, o mercado imobiliário estava aquecido. A maior parte das lojas de ‘cash & carry’ (atacarejos) não está em regiões centrais pela falta de disponibilidade de terrenos grandes”, diz. 

Dentre os 71 pontos do Extra Hiper vendidos ao Assaí, há ativos imobiliários que fizeram parte do acordo da Península Participações, empresa de investimentos de Abilio Diniz, e o GPA, firmado em julho deste ano. "Depois da separação do Assaí, a companhia buscou resolver questões mais estruturais do hipermercado, entre elas o contrato com a Península, que é proprietária de vários imóveis que são parte dessa transação. Assim que tivemos o contrato com a Península resolvido, tivemos mais flexibilidade para decidir o que fazer com os hipermercados", disse Faiçal.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, as unidades que pertenciam à Península eram estratégicas para a transação, pois se tratavam de alguns dos pontos mais cobiçados pela rede de atacarejo.  Faiçal diz, porém, que na época da cisão com o Assaí, a discussão sobre a venda desses pontos comerciais ainda não estava madura. Assim, a participação da Península não seria o único motivo para que a negociação não tivesse sido feita à época.

Outra vantagem de comprar os ativos do mesmo controlador é que a transação não passa pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Atacarejo foi considerada a melhor opção

O presidente do GPA afirmou que o amadurecimento da operação que resultou na conversão dos hipermercados Extra em lojas do Assaí ocorreu no Brasil. As conversas foram tocadas por Faiçal com Belmiro Gomes, líder do Assaí. O executivo disse que, depois de conversar com algumas redes regionais visando a operação, ficou claro que o atacarejo era a melhor opção. 

Faiçal também afirmou que a operação foi feita diante da constatação de que o Extra estava em uma “posição pouco privilegiada para fazer o turnaround (recuperação)” de seus negócios. Em relação ao futuro do GPA – que é dono da bandeira Pão de Açúcar –, o executivo também ressaltou que não há mais perspectivas de desinvestimentos.

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