Grupo Schahin entra com pedido de recuperação judicial

Dívida sujeita a recuperação ficou em R$ 6,5 bilhões; empresa de óleo e gás do grupo foi citada na Operação Lava Jato

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 11h35

O grupo Schahin acaba de entrar com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para suas empresas. O processo da recuperação judicial envolve passivo da ordem de R$ 6,5 bilhões. Desde o fim do ano passado, a empresa passa por dificuldades para obter caixa e vinha atrasando pagamentos de empréstimos. Alguns bancos como Deutsche Bank e HSBC chegaram a entrar com execuções judiciais para receber os valores.

A companhia de óleo e gás, a mais importante do grupo, tinha um descasamento de fluxo de caixa de US$ 1 bilhão neste ano. Já sem caixa no início de abril, comunicou à Petrobrás a paralisação de cinco sondas que faziam pesquisas e perfuração a serviço da Petrobrás

A situação da Schahin Óleo e Gás se complicou depois que o mercado de crédito se fechou para o setor com a Operação Lava Jato. A empresa foi citada nas investigações, mas não estava na lista das 23 empresas que tiveram futuros negócios suspensos com a Petrobrás por suspeita de cartel. A empresa, no entanto, entrou na lista no mês passado.

Entre os maiores credores individuais da empresa está a própria Petrobrás que tem US$ 765 milhões a receber. Os bancos asiáticos também têm grande exposição. O banco Industrial e Comercial da China fez empréstimos de mais de US$ 1 bilhão. O banco Mizuho é outro grande credor com US$ 460 milhões. A recuperação também atinge detentores de bônus e outros  bancos estrangeiros. 

Nota da empresa. Segundo nota distribuída pela companhia, o grupo irá "abandonar suas atividades no campo da engenharia e construção". "A situação vivida decorre principalmente do fechamento dos mercados de crédito nacional e internacional, o que impossibilita o financiamento das atividades das empresas", justifica o grupo. A companhia lembra ainda que tentou evitar a recuperação por meio do lançamento de títulos no mercado de capitais, renegociação de passivos existentes e o repasse de contratos de obras. (Com Agência Estado)

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