Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Grupo Urca investe R$ 200 mi em insumos renováveis e se prepara para distribuir gás

Verba será destinada para a criação de novas usinas produtoras de biometano, extraído do biogás, que utiliza os resíduos orgânicos como matéria-prima

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 18h44

RIO - Fabricantes de bebidas gasosas, como refrigerantes e cervejas, contrataram antecipadamente o gás carbônico sem emissão de gases de efeito estufa que será produzido pela Gás Verde daqui a 11 meses, no município de Seropédica (RJ). O CO2 "limpo" terá como insumo resíduos orgânicos de aterros sanitários, ou seja, lixo. Essa será a primeira usina a produzir CO2 verde no Brasil.

Mas, ainda que esse seja um mercado inexplorado no País, toda produção de longo prazo foi vendida antecipadamente, afirmou ao Estadão/Broadcast Marcel Jorand, diretor-executivo do grupo Urca Energia, dono da Gás Verde.

De olho no novo mercado de insumos industriais renováveis, a empresa reservou mais R$ 200 milhões para investir, a partir deste ano, em novas usinas produtoras de biometano, também extraído do biogás, que utiliza os resíduos orgânicos como matéria-prima. A Urca Energia já possui uma usina do tipo em Seropédica e outras duas de geração de eletricidade a partir do biogás nos municípios de Nova Iguaçu e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

A empresa se prepara também para entrar no mercado de distribuição do gás natural nacional pelo interior do Brasil. O primeiro negócio nessa linha deve acontecer no Rio de Janeiro, onde está mais adiantada a regulação de abertura do mercado de gás, ainda dominado pela Petrobras e concessionárias estaduais de distribuição.

"Em breve, vamos fechar novas aquisições em novos Estados para ampliar a produção de biometano e CO2 verde. Estamos em vias de negociação para trazer mais investimento em outros Estados", afirmou Jorand.

O negócio de biometano está mais avançado. O produto é usado como combustível na geração de energia elétrica e em caldeiras para produzir vapor. A fábrica da cervejaria Ambev no município de Cachoeira de Macacu (RJ) é uma das suas clientes. Já o CO2 verde disputará mercado com o gás carbônico que não é produzido por fontes renováveis.

Segundo o diretor da Urca Energia, o mercado de gás carbônico é muito maduro e pautado por preços internacionais e a indústria está cada vez mais alinhada às metas ESG, de redução de emissões.

O CO2 verde tem valor agregado próximo ao do biometano. Ele é, na verdade, um subproduto da purificação do biogás. "Quando a gente vai produzir o biometano (a partir do biogás), a gente tira o CO2 para purificar, tratar e liquefazer e, depois, transportar até os clientes", explicou Jorand.

Gasodutos e carretas

Já no negócio de gás natural, a ideia é ingressar comprando volumes no atacado das empresas petrolíferas e revender no varejo, por meio de gasodutos ou carretas. Os caminhões serão usados para levar o gás a clientes localizados em regiões sem acesso a dutos. Esse é um negócio de interiorização de gás natural, que vem ganhando espaço no Brasil. O produto pode ser transportado nas formas líquida (GNL) e comprimida (GNC), sendo que o GNL tem a vantagem de poder ser levado a regiões mais distantes e a desvantagem de ser mais caro.

Para vender o gás na forma liquefeita, a Urca Energia precisaria construir uma planta de liquefação do energético que será comprado das petrolíferas, o que está no radar. Outra opção é utilizar a infraestrutura existente.

"Está nos nossos planos utilizar city gates (de terceiros) que tenham uma boa vazão, pressão e acesso já regulados. Tem hoje o Gaslub com essa possibilidade, a infraestrutura instalada em Macaé (RJ) e city gates da Naturgy (distribuidora fluminense de gás)", disse Jorand. City gates são instalações onde o gás é passado das transportadoras para as distribuidoras de gás.

O executivo conta que aguarda apenas as regulações estaduais para dar início aos projetos. O Estado do Rio de Janeiro sai na frente por já ter a regulação pronta. "Mas a gente pode atuar em todo País, onde houver regulação estadual que nos dê possibilidade de transitar com o gás natural nos gasodutos das distribuidoras. O Rio tem acesso mais fácil aos produtores de gás natural. Além disso, pela proximidade das nossas usinas, conseguimos usar o biometano como backup (substituto)", complementou.

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