Grupos espanhóis formados após fusão de bancos abrem capital dia 20

Para concluir ofertas públicas iniciais em um mercado pouco aberto a lançamentos, bancos vão oferecer descontos de quase 50% nas ações

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 15h32

O Dia D para o problemático setor financeiro espanhol será, aparentemente, 20 de julho, quando ocorrerá a estreia de dois grupos formados após a fusão de bancos de poupança, conhecidos como cajas.

O Bankia, terceiro maior banco de crédito da Espanha, e seu concorrente menor Banca Cívica disseram que pretendem lançar ações no mercado em três semanas, oferecendo desconto de aproximadamente 50% em relação a seu valor contábil, mostrando a determinação das instituições em concluir suas ofertas públicas iniciais (IPO) em um mercado pouco aberto a lançamentos.

O Bankia disse que pretende vender até 907 milhões de ações ao preço de 4,41 euros por ação a 5,05 euros por ação, captando entre 4 bilhões de euros a 4,5 bilhões de euros. O Bankia venderá 60% das ações a investidores do varejo na Espanha e o restante para investidores institucionais espanhóis e estrangeiros.

O Cívica, por sua vez, anunciou que deve vender 248,8 milhões de ações ao preço de 2,7 euros por ação a 3,8 euros por ação, com o que deve captar entre 672 milhões de euros a 945 milhões de euros. Metade das ações devem ser vendidas a investidores do varejo e o restante para investidores institucionais.

As duas instituições já haviam adiado em uma semana a listagem, em parte para evitar que coincidisse com a divulgação do resultado dos testes de estresse de 15 de julho.

Os dois lançamentos irão testar o apetite dos investidores em relação aos bancos de poupança da Espanha, atingidos pela crise imobiliária que estourou há três anos. Como consequência, as cajas tiveram de digerir bilhões de euros em empréstimos inadimplentes e execuções de hipotecas. Em processo conduzido pelo governo espanhol, muitas instituições foram fundidas.

O Bankia é resultado da fusão de sete bancos de poupança regionais em uma entidade bancária nacional com 275 bilhões de euros em ativos e um valor contábil de apenas pouco mais de 13 bilhões de euros. A Civia é resultado da fusão de quatro bancos de poupança e tem 72 bilhões de euros em ativos.

O Bankia disse que se suas ações forem vendidas pelo valor central da margem de preço, a média de capital Tier 1 do banco irá subir dos atuais 7,63% para 10,1%. O Civica, por sua vez, informou que a média Tier 1 da instituição avançará para 9,86%, de 8,1% atualmente.

Ambas instituições destacaram bilhões de euros para cobrir empréstimos podres e para realizar baixa contábil de seus ativos e empréstimos imobiliários mais tóxicos, em uma tentativa de tornar tais instituições atraentes para os investidores potenciais. As informações são da Dow Jones.

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