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Grupos japoneses compram dona da marca de papel higiênico Personal

Companhia de papel e celulose Daio e trading Marubeni desembolsam R$ 2,3 bilhões pelo controle da empresa paulista Santher

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 08h47

Os grupos japoneses Daio Paper e Marubeni anunciaram nesta quinta-feira, 27, a compra da empresa de papel Santher, que está há três gerações nas mãos da família Haidar. O valor do negócio é de R$ 2,3 bilhões. 

Dona das marcas de papel higiênico Personal e papel toalha Snob, a companhia passou por uma reestruturação financeira no início de 2018, para alongamento de dívidas de R$ 500 milhões.

A empresa paulista, que foi colocada à venda no ano passado, intensificou as conversas com os grupos japoneses nas últimas semanas, segundo fontes a par do assunto. O anúncio do negócio foi feito pela Daio Paper e Marubeni, que ter 100% do controle da empresa de papel tissue brasileira, por meio de uma joint venture firmada entre os dois grupos. A Daio Paper terá 51% do negócio e a Marubeni os 49% restantes.

Em comunicado, a Daio e Marubeni informaram que decidiram entrar em parceria Brasil por considerar "o mercado brasileiro atraente, à luz do significativo crescimento populacional e do desenvolvimento econômico do país".  As duas empresas acreditam no potencial crescimento da demanda por bens de consumo (incluindo produtos para cuidados pessoais). 

O mercado global de produtos de higiene e cuidados pessoais é avaliado em aproximadamente US$ 180 bilhões, com uma taxa de crescimento anual em torno de 3% nos próximos anos. O Brasil é o quarto maior mercado do mundo, com média de crescimento de 5,6% (produtos de papel doméstico) e 5,4% (fraldas descartáveis) nos últimos cinco anos.

Com a aquisição, a família fundadora sai totalmente do negócio. O atual presidente da companhia, José Rubens de la Rosa, deverá permanecer na gestão do grupo.  “Vamos agregar às nossas potencialidades de gestão e governança, recursos financeiros e sinergias, bem como tecnologias de produtos e processos, e melhorando o atendimento às sociedades brasileira e latino-americana”, afirmou de la Rosa, em nota.  

Nas mãos da família há 82 anos

Fundada há 82 anos pelo empresário libanês Fadlo Haidar, formado em medicina, a empresa da zona leste da cidade de São Paulo começou a operar com produção para papel para embalagens. Haidar, que chegou ao Brasil em 1921, comprou um terreno no bairro da Penha para construir a Fábrica de Papel Santa Therezinha. 

Com três fábricas em operação, a companhia apostou na diversificação para garantir sua sobrevivência. Em 2016, contudo, afetada pela crise, a família decidiu fechar uma unidade de Governador Valadares (MG) considerada obsoleta.

Segundo dados financeiro preliminares de 2019, a Santher apresentou receita líquida de R$ 1,56 bilhão no ano passado (alta de 5,4% sobre 2018), com lucro de R$ 30 milhões atribuível aos acionistas, revertendo o prejuízo de R$ 5,2 milhões do ano anterior. O Ebitda alcançou R$ 179,8 milhões, crescimento de 49%. Seu patrimônio líquido era de apenas R$ 36,6 milhões ao fim de 2019.

A compra da Santher reforça o interesse de grupos estrangeiros pelo mercado de papel e celulose brasileiro. No ano passado, a empresa Softys, filial do grupo chileno CMPC, comprou a paranaense Sepac por R$ 1,3 bilhão.

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