Fabio Motta/Estadão - 31/08/16
Fabio Motta/Estadão - 31/08/16

Guia tenta ajudar marcas a praticar a inclusão para além do discurso

Movimento quer maior presença de pessoas com deficiência na comunicação

Wesley Gonsalves, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 05h00

Será que a publicidade no Brasil é realmente inclusiva? Apesar dos esforços recentes de grandes nomes do setor, o mercado ainda não consegue se comunicar com todo mundo. Para derrubar essa barreira entre as campanhas e as pessoas com algum tipo de deficiência, o Movimento Web Para Todos (MWPT) decidiu lançar em 2022 um “guia prático” de acessibilidade digital para tornar as marcas e as campanhas mais diversas e inclusivas.

Existem várias estatísticas sobre o total de pessoas com deficiência no Brasil – uma delas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colocava esse total no País em 17 milhões.  Os dados, divulgados em 2021, são referentes ao ano de 2019.

O “Guia de Acessibilidade Digital para Marcas Diversas e Inclusivas” traz uma lista de sugestões para viabilizar as campanhas tradicionais e online, dicas de ferramentas de inclusão, questões sobre legislação, neurodiversidade e jornada de acessibilidade. Além disso, convida as marcas a repensar se seus sites e plataformas conseguem atingir a todos. 

Segundo a idealizadora do MWPT, Simone Freire, o guia de práticas  surgiu em um evento em parceria com a gigante de tecnologia Google. No encontro online, um grupo de especialistas discutiu as melhores formas de adaptar os conteúdos e os formatos para conseguir dialogar com um número de pessoas através da acessibilidade digital.  

“Cada vez mais clientes exigem que as agências de publicidade façam ações inclusivas”, afirma Simone. “Queremos aproveitar esse momento de preocupação com o ESG – sigla em inglês para questões sociais, ambientais e de governança – para levantar as questões de inclusão das pessoas com deficiência no mundo digital.” 

Além do discurso

De acordo com a idealizadora, os principais erros cometidos pelas empresas são:  deixar para pensar a acessibilidade apenas no fim da produção, não separar uma fatia do orçamento para adequar conteúdos e a falta de representatividade. “As pessoas vão ter de ser personagens dessas campanhas também, para que outras pessoas queiram consumir aquela marca”, enfatiza. 

Para Cecília Russo, da Troiano Branding, mesmo com o avanço da pauta de diversidade, questões sobre inclusão ainda são pouco abordadas, seja utilizando atores e atrizes PCD – pessoa com deficiência – ou tornando os conteúdos acessíveis a elas.

Ela ressalta que os negócios precisam ser verdadeiros, sem querer surfar na pauta de inclusão. “Na maioria das vezes, quem cria a propaganda não faz parte do grupo da diversidade, com isso é comum acabarem assumindo estereótipos preconceituosos sobre as pessoas com deficiência”, diz. 

Os interessados no guia do Movimento Web Para Todos podem acessar o site da entidade e se cadastrar para receber gratuitamente o manual a ser lançado este mês. 

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