GVT ajudaria Telefônica com 'impasse' no Cade

Negócio prevê repasse da fatia da Telefônica nadona da TIM, que é alvo do órgão antitruste, para a francesa Vivendi

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h03

O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinicius Carvalho, afirmou ontem que é cedo para comentar a oferta de R$ 20,1 bilhões feita pela Telefônica à francesa Vivendi pela compra da operadora brasileira GVT. Ainda assim, ele disse que o negócio, se for aceito, pode ser "um passo" para o cumprimento da decisão do órgão antitruste sobre a participação da Telefônica na TIM.

Embora a eventual compra da GVT pela Telefônica possa ajudar a companhia espanhola a se livrar do problema concorrencial decorrente da sua participação na TIM, o Cade promete analisar a possível operação de maneira totalmente desvinculada de casos anteriores.

O objetivo é manter a neutralidade diante do novo negócio, ainda que, potencialmente, faça parte da solução de um processo anterior. O fato relevante publicado anteontem pela Telefônica ofereceu cerca de 60% do valor em dinheiro - R$ 11,9 bilhões - para a Vivendi e o restante em ações, incluindo papéis da Telecom Itália.

A chave do negócio é que, no fim do ano passado, o Cade determinou que a Telefônica se desfizesse de sua participação no grupo italiano que controla a TIM no Brasil, ou que dividisse a Vivo com outro sócio.

"O presidente da Telefônica no Brasil, Antônio Carlos Valente, me ligou para explicar o fato relevante após a publicação", contou Carvalho. "Mas, se a Vivendi aceitar a proposta pela GVT, não sabemos ainda qual será a redução da participação da Telefônica na Telecom Itália", acrescentou.

Desvinculada. Apesar de esse novo negócio em tese ajudar a Telefônica a resolver a pendência concorrencial que envolve a participação do grupo espanhol na TIM, Carvalho reforçou que a nova operação - caso se concretize - será julgada pelo Cade de maneira desvinculada ao caso Telefônica/Telecom Itália.

"A GVT ainda não foi vendida. Caso isso ocorra, o Cade fará uma análise minuciosa. E essa análise não pode ocorrer em função de uma decisão tomada em outro caso", diz Carvalho.

Em junho, o Cade manteve uma multa de R$ 15 milhões aplicada à Telefônica em dezembro de 2013 pelo descumprimento de um Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), de 2010.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.