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Há mudança de comportamento do Banco Central, diz ex-diretor

Para Paulo Vieira da Cunha, autoridade monetária tem respondido menos aos choques de demanda, o que deve fazer com que mantenha juro em 10,75% ao ano

Nalu Fernandes e Patrícia Lara, da Agência Estado,

31 de agosto de 2010 | 15h52

O Banco Central tem respondido muito menos aos choques de demanda, indicando uma mudança de comportamento da autoridade monetária, na avaliação do ex-diretor do BC e fundador do fundo Tandem Global Partners, Paulo Vieira da Cunha. Esta mudança de comportamento, avalia o executivo, deve fazer com que o BC mantenha o juro inalterado em 10,75% na reunião desta semana e também no restante do ano. Em 2011, porém, será preciso implementar uma elevação de 2 pontos porcentuais da Selic para que a inflação possa convergir para o centro da meta, disse ele, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

Se o BC continuasse a se comportar como vinha até antes de junho, a alta da Selic teria sido em uma dose bem maior do que ocorreu em julho, avalia o ex-BC. Vieira da Cunha cita que a comunicação do BC não está muito clara e, por isso, os agentes de mercados têm mencionado duas interpretações possíveis para esta mudança de comportamento.

A primeira, diz ele, é que o BC estendeu o prazo para a convergência da meta para um horizonte de 24 meses. Se este realmente for o caso, o ex-BC classifica como "absurdo". "Um sistema de metas de inflação com um horizonte de 24 meses já não é mais bem um sistema de metas de inflação. E não acredito que funcionaria, mas esta é uma interpretação corrente no mercado". A segunda hipótese, continua Vieira da Cunha, é a de que o BC estaria considerando que houve alguma alteração mais estrutural na economia e que, portanto, estaríamos entrando em um regime de menor resposta da inflação aos choques de demanda e isso alteraria, portanto, os coeficientes de reação do modelo.

O ciclo eleitoral pode entrar nesta equação como uma terceira possibilidade. Uma pausa na alta do juro relacionada ao ciclo eleitoral faria sentido, argumenta ele. Mas, neste caso, o BC poderia ter antecipado um pouco o ciclo de alta da taxa básica e não ter reduzido o ritmo de alta na última reunião, afirma.

Para ele seria necessário (e este é seu cenário base) elevar o juro em 2 pontos porcentuais em 2011 para fazer a inflação convergir para o centro da meta. Mas, se o Copom pós-eleição presidencial continuar reagindo menos, a Selic poderia ficar inalterada por mais tempo ou o período de ajuste do juro poderia ser dilatado. Neste caso, "o Copom estaria introduzindo o risco de inflação de volta à curva (de juro)", completa o executivo.

Vieira da Cunha vê as expectativas de inflação chegando a 6% por volta do primeiro ou do segundo trimestre de 2011. "Com este comportamento, o Copom não segura a inflação perto da meta", acrescenta. Antes da virada do ano, o ex-diretor do BC observa que as expectativas de inflação para 12 meses à frente já estarão rumando em direção aos 5%.

No front fiscal, Vieira da Cunha diz que a meta de superávit primário não será cumprida como foi proposta. Mas, prossegue ele, o governo tem sido extremamente criativo em refazer os números, em adotar novos critérios. "Agora mesmo, hoje de manhã, estava anunciando um tipo de troca de ativos entre Tesouro e o BNDES. Mas, dado o que já está compromissado de gastos - e a menos que faça contenção extremamente severa no último trimestre -, (o governo) dificilmente vai cumprir a meta do primário neste ano sem algum malabarismo nas contas", avaliou.

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