Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Heineken terá nova fábrica em MG com investimento de R$ 1,8 bi

A nova unidade deve gerar 11 mil empregos indiretos e empregar 350 pessoas diretamente; capacidade produtiva anual será de 500 milhões de litros de cerveja, como Heineken e Amstel

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2022 | 13h13

O Grupo Heineken anunciou nesta quarta-feira, 27, que a sua nova fábrica no País será na cidade de Passos, no estado de Minas Gerais, com investimento inicial de R$ 1,8 bilhão. A instalação terá capacidade produtiva de 500 milhões de litros por ano e potencial para expansão futura desse montante. Com previsão de inauguração até 2025, a nova operação deve empregar 350 pessoas, além de gerar aproximadamente, nos cálculos da cervejaria, 11 mil empregos indiretos. Serão produzidas ali as marcas puro malte, como Heineken e Amstel.

“Recebemos contato de mais de 200 cidades interessadas e que foram extremamente receptivas e solícitas ao nos abrirem as portas. Ficamos muito felizes com esse reconhecimento e gostaríamos de reforçar nosso agradecimento a todos os municípios”, comenta Mauricio Giamellaro, presidente do grupo no País.

Ao Broadcast, a companhia afirmou que as cidades estavam interessadas em apresentar boas oportunidades de terreno, além de condições favoráveis para instalação de um negócio desse porte. “Assim como naturalmente acontece em negociações na indústria, recebemos incentivos estaduais e municipais para que fosse possível seguir com nosso plano de expansão no estado”, disse a companhia por escrito, sem detalhar quais foram os incentivos fiscais. O investimento inicial para a construção da nova unidade em MG, por sua vez, vem de recursos próprios da companhia.

Energia renovável

A nova operação será abastecida apenas por fontes de energia renovável, além de atender a princípios de eficiência hídrica. A cidade de Passos também já está dentro do programa de geração distribuída de energia verde da marca Heineken. Os moradores do município terão acesso à energia renovável a partir de um cadastro digital na plataforma da empresa. O mesmo vale para os bares e restaurantes locais, que podem receber até 15% de redução na conta mensal. A empresa não revela quanto a extensão do uso de energia renovável à comunidade local custa à companhia.

Mudança de planos

Giamellaro disse que a instalação da nova fábrica da companhia no município de Passos foi tomada por critérios técnicos. A empresa construiria a nova operação, a princípio, na cidade de Pedro Leopoldo (MG). No entanto, questões jurídicas ligadas a temas ambientais fizeram a companhia mudar os planos. Ainda na fase inicial da obra , o ICMBio apontou problemas e a empresa teve a obra embargada, além de receber multa. Depois de discordâncias jurídicas, a empresa decidiu manter o investimento no Estado, mas em outro município.

O governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que, ao saber dos problemas que a Heineken enfrentava no município de Pedro Leopoldo para a construção de sua fábrica, foi a São Paulo falar com o presidente do grupo no Brasil, Mauricio Giamellaro. "Não vamos perder essa indústria por nada", teria dito o governador. Segundo Zema, não houve benefícios ou incentivos fiscais estaduais concedidos à Heineken de maneira específica. Ele explicou que o Estado tem políticas fiscais instituídas por outras gestões que trazem incentivos para fábricas do setor, das quais a empresa fará uso.

Questionado sobre o valor desses incentivos ao segmento, o governador afirmou que se trata de um cálculo complexo que depende do cumprimento de metas das companhias do ramo. No nível municipal, o prefeito de Passos, Diego Oliveira, disse que houve "contrapartida" da prefeitura, mas também não especificou valores. Ambos os governantes defendem que a geração de empregos e a movimentação da economia local são o principal ganho com a chegada da nova fábrica.

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