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Heinz, dos brasileiros do 3G, se une à Kraft e cria gigante de US$ 70 bilhões

Em parceria com o megainvestidor Warren Buffett, o fundo do trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira terá uma fatia de 51% na empresa resultante da fusão, que nasce como a quinta maior companhia de alimentos do mundo

O Estado de S. Paulo

25 de março de 2015 | 08h05

(Texto atualizado às 22h15)

Os brasileiros que fundaram a Ambev fizeram nesta quarta-feira mais uma investida histórica no mercado americano, com a fusão de dois ícones da indústria de alimentos dos Estados Unidos: Kraft Foods e H.J. Heinz. A companhia resultante dessa união terá uma receita de US$ 29 bilhões e será a quinta maior empresa de bebidas e alimentos do mundo. A fabricante de ketchup Heinz pertence à 3G Capital, empresa de investimentos dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, e à Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett. A Heinz vai controlar 51% da nova companhia, enquanto os acionistas da Kraft, que ainda precisam aprovar a fusão em votação, ficarão com 49%. A transação deve ser concluída na segunda metade deste ano.

Segundo estimativas de analistas, a Kraft Heinz Company nasce com valor de mercado de US$ 70 bilhões, podendo alcançar US$ 100 bilhões até 2017. Além do ketchup, a Heinz produz molhos, sopas, feijões e batatas Ore-Ida. No Brasil, a Heinz controla, desde 2011, a Coinexpress, de Goiânia (GO), dona da marca Quero. As marcas da Kraft incluem Philadelphia, Jell-O, Kool-Aid, Lunchables, Maxwell House, Oscar Mayer, Planters e Velveeta. O novo grupo de alimentos tem oito marcas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

A transação marca a quinta maior aquisição da 3G Capital na indústria de alimentos e bebidas desde 2008, quando o grupo arquitetou a compra da cervejaria americana Anheuser-Busch pela InBev (leia mais ao lado).

Com habilidade para cortar custos, os executivos do 3G assumirão a gestão de uma empresa que vem lutando contra margens de lucro baixas e vendas estagnadas em meio à mudança nos hábitos dos consumidores. A expectativa dos investidores é de que a união das duas empresas gere uma economia de US$ 1,5 bilhão até o fim de 2017.

A Kraft é resultado de uma cisão da Kraft Food Group, feita em 2012, que foi desmembrada em uma homônima e na Mondelez International. A Mondelez ficou com a divisão doces da antiga Kraft, que inclui marcas como Trident e Lacta, no Brasil. Desde a separação, as vendas da Kraft têm se mantido em torno de US$ 18 bilhões. O lucro geral da empresa caiu 62% no ano passado, para US$ 1 bilhão, afetado pelo custo de commodities como café, queijo e carne.

A Kraft opera principalmente nos Estados Unidos, enquanto a presença internacional da Heinz é mais forte. A combinação das duas vai criar uma potência global dos alimentos mais equilibrada, com vendas expressivas para os consumidores comuns e segmentos como o dos restaurantes. 

Mas o acordo pode enfrentar algum escrutínio envolvendo a lei antitruste. Em Washington, as autoridades estão adotando uma posição mais rigorosa ao avaliar potenciais fusões que diminuem a concorrência.

Parceiro. Os brasileiros não fecharam essa fusão sozinhos. Assim como fez com a Heinz, Buffett desempenhou um papel significativo na conclusão do acordo. A empresa dele, Berkshire Hathaway, voltou a investir com a 3G Capital, e vai ajudar a pagar o dividendo aos acionistas da Kraft.

O acordo marca o retorno de Buffett às megafusões: o investidor diz estar à caça de “elefantes” - grandes empresas que ele poderia incorporar ao crescente conglomerado da Berkshire Hathaway.

Os planos para a fusão de Kraft e Heinz estão em andamento há anos. Quando 3G Capital e Buffett assumiram o controle da Heinz, eles identificaram a Kraft como parceira ideal para uma fusão. No início do ano, pouco depois de John T. Cahill assumir como diretor executivo, 3G e Buffett procuraram a Kraft para falar num acordo.

Como nenhum financiamento de dívida foi necessário, o acordo foi orquestrado sem a ajuda de grandes bancos como JPMorgan, Bank of America ou Citigroup. Em vez disso, a Kraft recebeu orientação da Centerview Partners, um escritório menor e especializado, enquanto a Heinz foi orientada pelo banco de investimento Lazard.

Negócios do 3G até a compra da Kraft:

Primeira investida

Um dos primeiros investimentos do 3G foi feito em 2007 em uma companhia ferroviária americana chamada CSX. O fundo, no entanto, não conseguiu assumir o controle do negócio e deixou a empresa em 2011.

Hambúrgueres

Em setembro de 2010, os brasileiros do 3G lideraram a compra de mais um ícone americano (eles já eram donos da marca de cerveja Budweiser). A rede de fast-food Burger King foi adquirida por US$ 4 bilhões. Entre os investidores que entraram no negócio com o 3G, estão os bancos JP Morgan, Barclays e Eike Batista.

Condimentos

Pouco mais de dois anos depois de comprar a rede de fast-food, o fundo anunciou a aquisição da Heinz, famosa pelo ketchup, por US$ 28 bilhões. A empresa está presente em mais de 200 países e, no Brasil, controla a Quero, de Goiânia. Nesse negócio, o 3G é sócio do megainvestidor Warren Buffet.

Café

Em agosto do ano passado, o Burger King comprou a canadense de cafeterias Tim Hortons por US$ 11,5 bilhões. A união deu origem ao terceiro maior grupo de fast-food do mundo, atrás de McDonald's e da KFC, com 18 mil restaurantes em 100 países.  / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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