H.Griffo: Campo de Tupi deve agregar US$ 20 bi/ano nas exportações

Descoberta pressiona ainda mais o preço do dólar para baixo, avalia economista da Hedging-Griffo, Elsom Yassuda

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

09 de novembro de 2007 | 16h32

A descoberta de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, coloca o Brasil num novo cenário, ainda mais positivo. A avaliação é do economista-chefe da Hedging-Griffo, Elsom Yassuda. "É uma descoberta importante. À priori, o campo de Tupi terá efeito forte na balança de pagamentos e na balança comercial", afirmou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Segundo cálculos preliminares, Yassuda acredita que o campo de Tupi irá agregar algo em torno de US$ 20 bilhões nas exportações quando estiver operando. "Mas são cálculos conservadores. Pode ser mais que isso", comentou.   Ouça a entrevista com Elsom Yassuda    A descoberta eleva a Petrobras do quinto para o terceiro lugar no ranking entre as principais companhias listadas em Bolsa de Valores no mundo todo. A Petrobras estima um volume recuperável de óleo leve de até 8 bilhões de barris de petróleo equivalente no megacampo, o que a deixaria para trás apenas da americana Exxon Mobil e a britânica BP em volume de reservas. "Independentemente de ser uma estatal, o Brasil será muito mais relevante no mercado de energia", disse o economista.   Segundo Yassuda, os impactos da descoberta na macroeconomia vão além dos efeitos fiscais. Ele ressaltou que o novo campo promoverá um choque adicional na capacidade produtiva, com impacto no câmbio e nos preços no longo prazo, além de colocar o País mais próximo de um upgrade para grau de investimento. Ele evitou, no entanto, fazer previsões de quando o Brasil poderá conseguir essa nota, mas admitiu que com o novo cenário poderá ser mais rápido.   O economista disse hoje que a pausa nos cortes da Selic deve ser longa, por ainda existirem muitas dúvidas para 2008. "Entraremos em 2008 com atividade aquecida e inflação um pouco mais alta. Faz sentido a prudência do Copom", disse.   Yassuda ressaltou que, embora a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, coloque o Brasil numa perspectiva ainda mais positiva, há vários desafios a serem vencidos, como a dificuldade de abastecimento de gás e cenário externo incerto. "As incertezas em 2008 não são triviais. Aqui, os problemas com infra-estrutura oferecem riscos relevantes", afirmou.   O economista acredita que a Selic permanecerá em 11,25% ao longo de todo o primeiro semestre. Só depois disso, o Copom retomaria os cortes, mesmo assim com parcimônia, levando a taxa básica de juros a terminar o próximo ano em 10,75%, "na ausência de choques".   Yassuda disse que a inflação medida pelo IPCA poderá ficar em 4,4% no ano que vem. Segundo ele, o que mais preocupa são os preços dos produtos não-comercializáveis (non-tradables). Ele afirmou ainda que o atingimento do centro da meta de inflação em 2008 vai depender dos produtos comercializáveis e do comportamento do câmbio. O economista frisou que a alta das commodities limita o repasse (pass-through) do câmbio nos preços.   Ainda sobre câmbio, Yassuda disse que há um undershooting ou queda muito acentuada do dólar e que isso poderá levar a cotação a R$ 1,70 ainda este ano. Sua projeção para este ano, no entanto, é de dólar entre R$ 1,70, R$ 1,75 e em R$ 1,80 em 2008.

Tudo o que sabemos sobre:
AE BroadcastHedging-GriffoPetrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.