Rafael Martins/Hidrovias do Brasil
Rafael Martins/Hidrovias do Brasil

Hidrovias do Brasil inicia eletrificação da frota com o objetivo de reduzir poluentes na Amazônia

Só com duas máquinas, que começarão a operar até o fim de 2022, a empresa deixará de emitir 2.168 toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera por ano

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 15h00

Na esteira da descarbonização do planeta, a Hidrovias do Brasil, empresa de logística que tem como sócia a gestora de recursos Pátria, iniciou um processo para eletrificação de parte de sua frota. Até o fim do ano, dois empurradores de manobra estarão em operação na Amazônia, onde a companhia opera o transporte hidroviário, sobretudo de grãos.

Só com essas duas máquinas, a empresa deixará de emitir 2.168 toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera por ano – isso equivale às emissões de 472 automóveis em funcionamento. Segundo o presidente da empresa, Fabio Schettino, o projeto é totalmente nacional e inédito no mundo. Na semana passada, ocorreu a montagem dos racks de baterias que vão abastecer o empurrador.

No total, são 152 baterias com autonomia para cinco ou seis horas. Por isso, essas máquinas serão destinadas ao apoio portuário nos terminais do Pará. Mas a expectativa é que, com a evolução tecnológica, esse tempo de autonomia aumente e seja possível fazer viagens mais longas. “Estamos deixando espaço disponível nas embarcações para que futuramente possamos ampliar a capacidade

A diretora de inovação, engenharia e tecnologia da informação, Mariana Yoshioka, afirma que a intenção é continuar estudando o assunto para expandir o projeto. Ela explica que hoje o tamanho das baterias ainda é um limitante para a longa distância – entre Miritituba e Vila do Conde, no Pará, onde a empresa tem terminais, são cerca de 1.000 km pela hidrovia, o que exigiria pontos de parada para abastecimento. “Mas essa limitação é uma questão de tempo. A tecnologia está avançando muito rapidamente.”

Schettino destaca que, além de ser eficiente e uma fonte limpa, o projeto é economicamente viável, pois o custo de operação é menor. “Num momento em que o diesel estava na metade do preço do que é hoje já era viável. Agora a situação é ainda mais vantajosa.”

A embarcação está sendo construída no estaleiro da Belov, na Bahia. As baterias são da Weg. As embarcações serão batizadas de Poraquê e Enguia, nomes de peixes encontrados na região Amazônica.

Avanço

O processo de transição energética tem elevado o interesse do mundo por máquinas elétricas. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), em 2019, o mundo somava 10,7 GW de capacidade de armazenamento instalada. Mas a expectativa é que esse mercado tenha um crescimento exponencial nos próximos anos, alcançando 1 mil GW em 2040. Isso inclui o armazenamento de energia eólica e solar, os veículos elétricos e outras aplicações. 

Segundo os estudos das consultorias Greener e Newcharge, desde 2010, o preço das baterias de lítio caiu 89%, de US$ 1.183 para US$ 135 o quilowatt-hora (kWh). A expectativa é que em 2024 o preço esteja em US$ 94 e, em 2030, em US$ 62 – o que deve atrair novos usos no mundo todo.

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