Paulo Whitaker/Reuters
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HSBC é a maior aquisição na história do banco, diz Trabuco

Segundo o presidente do Bradesco, desde 1943 o banco fez 48 aquisições; com a compra, o Bradesco assumirá todas as operações do HSBC no Brasil, incluindo o banco de varejo, seguros, administração de ativos, agências e clientes

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 11h21

SÃO PAULO - A aquisição do HSBC Brasil pelo Bradesco é a maior já feita na história do banco brasileiro, de acordo com Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente da instituição. "É a maior aquisição no desenvolvimento histórico do banco. Desde 1943, o Bradesco fez 48 aquisições entre bancos, financeiras, seguradoras", afirmou o executivo, em teleconferência com jornalistas, nesta manhã.

O Bradesco confirmou, em fato relevante ao mercado nesta madrugada, que adquiriu o HSBC Brasil por R$ 17,6 bilhões (US$ 5,186 bilhões), conforme antecipou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Com a aquisição, o Bradesco assumirá todas as operações do HSBC no Brasil, incluindo o banco de varejo, seguros e administração de ativos, bem como todas as agências e clientes. Ao adquirir o HSBC no Brasil, os ativos do Bradesco crescem 16% com a operação, para R$ 1,192 trilhão. A carteira de crédito aumenta 14%, chegando a R$ 517,8 bilhões. O patrimônio líquido chega a 11,2 bilhões.

Em relação ao preço a ser pago pelo HSBC, que ficou acima das expectativas do mercado, ele explicou que ambos os bancos chegaram em "um bom termo". Questionado sobre se o Bradesco teria pago um valor elevado por um banco que no ano passado teve prejuízo e rentabilidade negativa, Trabucco disse que os resultados do passado não podem ser usados como referência para o futuro. "Foi uma fotografia do balanço em determinado momento, com uma estrutura de custos bastante diferente. A integração poderá ter pela complementaridade ganhos de escala, algo importante, e pelo aumento de receitas, produtos e serviços, que consomem menos capital. O portfólio se expande. O valor pago foi confortável e conveniente", disse Trabuco.

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'A integração poderá ter pela complementaridade ganhos de escala, algo importante, e pelo aumento de receitas, produtos e serviços, que consomem menos capital. O portfólio se expande. O valor pago foi confortável e conveniente', disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente da instituição
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De acordo com Trabuco, a aquisição do HSBC vai proporcionar ao Bradesco crescer e aumentar sua escala. Há complementaridade, segundo o executivo, em termos de agências, colaboradores e clientes, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e no público de alta renda, que soma cerca de 1 milhão de clientes. "Os colaboradores do HSBC nos motivaram muito. A estrutura do HSBC é de complementaridade. Temos baixa sobreposição", afirmou ele, acrescentando que há muita mão de obra complementar na sede do HSBC, em Curitiba, que pode prestar serviços para o Bradesco e que será avaliada.

O presidente do Bradesco afirmou ainda que o sistema bancário tem se consolidado e que a compra do HSBC se insere neste contexto. "Aquisição do HSBC ocorre em momento de grandes mudanças da transição no Brasil e é um evento inigualável. Há valor intangível. HSBC era ativo único no Brasil", destacou Trabuco.

Para Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, a aquisição do HSBC é um novo passo na estratégia de longo prazo do banco. "Esse negócio tem o propósito de reforçar o posicionamento do banco com reflexos nos resultados financeiros, agregando valor aos nossos acionistas", avaliou ele. 

Lucro. O HSBC Brasil deve entregar resultado de R$ 1,209 bilhão este ano, de acordo com o diretor executivo gerente e de relações com investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti. O resultado, no critério recorrente, conforme ele, se confirmado, representará aumento de 28,8% em relação ao de 2014, de R$ 939 milhões.

A diferença desta cifra ante o prejuízo anunciado pelo HSBC no ano passado, de R$ 549 milhões, se dá, conforme Angelotti, porque ocorreram situações específicas do ambiente econômico e impacto da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga contratos com a Petrobras. "O HSBC teve efeitos de provisionamento de clientes específicos por Lava Jato, na área corporate, em 2014. Quando se eliminam essas situações, custos da matriz, eventos de reestruturações internas e impairment de ativos, o resultado limpo, recorrente, é de R$ 939 milhões", explicou o executivo.

O presidente do HSBC no Brasil, André Brandão, também presente na teleconferência com a imprensa, realizada nesta manhã, afirmou que o resultado do primeiro semestre do banco corrobora tal expectativa para o lucro neste exercício. A instituição anunciou, na madrugada de hoje, lucro de US$ 191 milhões no primeiro semestre de 2015, respondendo por 44% do resultado do grupo britânico na América Latina. No varejo e gestão de recursos, porém, foi identificado prejuízo de US$ 74 milhões.


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