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HSBC tem perdas de US$ 247 mi no Brasil, o menor resultado entre latino-americanos

Em 2014, a filial brasileira do banco reverteu o lucro que vinha registrando em anos anteriores; a direção do HSBC diz que o prejuízo é explicado pelo ambiente econômico desfavorável

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 07h10

Texto atualizado às 8h40

LONDRES - A filial brasileira do banco HSBC registrou prejuízo antes de impostos de US$ 247 milhões no ano passado. Esse foi o pior resultado entre todas as filiais latino-americanas e reverte a tendência de lucro vista nos anos anteriores. Em 2013, a instituição havia lucrado US$ 351 milhões no Brasil e no ano de 2012 o resultado positivo havia somado US$ 1,123 bilhão. A direção do banco diz que o prejuízo é explicado pelo ambiente econômico desfavorável e a continuidade dos ajustes gerados pelo reposicionamento do banco no Brasil.

"A desaceleração da economia brasileira explica muito dessa fraqueza. A deterioração da confiança econômica e a consequente retração do investimento empresarial foram os principais fatores por trás da desaceleração econômica", diz o balanço divulgado em Londres. "Para mitigar as pressões inflacionárias de uma moeda mias fraca, o Banco Central aumentou o juro em 75 pontos base no quarto trimestre para 11,75%", completa o documento.

Por unidades no Brasil, a unidade que engloba o banco de varejo e a gestão de ativos liderou o prejuízo com perda antes de impostos de US$ 174 milhões em 2014. Isso acelerou a tendência de perdas do ano anterior, quando o prejuízo já havia somado US$ 114 milhões. Em seguida, o banco comercial registrou prejuízo de US$ 153 milhões no ano passado, mais que o triplo da perda de US$ 43 milhões reportada em 2013. O segmento de alta renda, o private, acumulou perda de 2 milhões em 2014 contra lucro de US$ 5 milhões em 2013.

O único segmento do HSBC Brasil que terminou o ano passado com lucro foi o de "global banking e mercados", que gerou resultado positivo antes de impostos de US$ 115 milhões em 2014. Apesar de estar no azul, a unidade viu o resultado cair drasticamente já que em 2013 o lucro havia somado US$ 514 milhões. Segundo o balanço, houve ainda prejuízo de US$ 33 milhões em outras áreas não especificadas no ano passado na filial brasileira do HSBC. 

Agências. O HSBC Brasil continua com o esforço para reposicionar as atividades do banco no País. Em um trabalho que já leva vários trimestres, a filial tenta migrar negócios para segmentos com maior potencial de crescimento. Nesse esforço, o banco com sede em Curitiba anuncia o fechamento de 21 agências.

O balanço cita que o HSBC Brasil fechou agências "em áreas com menor potencial de crescimento". O documento não cita quais unidades foram ou serão fechadas. O documento explica apenas que o objetivo do banco é concentrar esforços em áreas urbanas que ofereçam melhores perspectivas e cita "esforço nos centros urbanos com potencial de rápido crescimento das receitas".

Ao mesmo tempo em que fecha 21 agências tradicionais, o HSBC Brasil anuncia o lançamento de 60 pontos para vendas e atendimento automático dos clientes. Também não há detalhes sobre essa iniciativa no balanço.

Entre outras ações para o reposicionamento do banco, o HSBC cita que "no banco de varejo e gestão de ativos, estamos atualizando nosso modelo de negócios nos concentrando em segmentos específicos de clientes". Na pessoa física, o banco tem adotado mudanças nas linhas de crédito, como a ampliação dos prazos de empréstimos pessoais. Na pessoa jurídica, houve avanço entre as empresas de médio porte. "No Brasil, fizemos progressos para transformar nosso negócio a fim de garantir a sustentabilidade de longo prazo", diz o balanço.

Despesas. Além de estar em um ambiente econômico menos favorável e com o reposicionamento das atividades, o HSBC registrou aumento das despesas operacionais no Brasil. O balanço cita que esses gastos cresceram US$ 796 milhões na América Latina, especialmente "no Brasil e Argentina em grande parte pelas renegociações salariais e pressões inflacionárias".

Além dos salários, o HSBC registrou custos extraordinários no Brasil no ano passado, com a aceleração de depreciação e a baixa em ativos intangíveis no segmento de varejo e gestão de ativos. "Apesar desses fatos, nossa política de controle de gastos continua e nós avançamos com nosso foco e tivemos economia com custos acima de US$ 155 milhões", diz o documento.

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