Hypermarcas paga R$ 2,5 bi e leva a Mantecorp

Acordo fechado ontem encerra processo de venda que começou há quase dois anos e deve transformar a Hypermarcas em líder em medicamentos 

Melina Costa, de O Estado de S.Paulo,

20 de dezembro de 2010 | 08h32

SÃO PAULO - A Hypermarcas fechou no domingo, 19, a compra da farmacêutica Mantecorp por R$ 2,5 bilhões, segundo o Estado apurou. Do total, R$ 1,6 bilhão será pago em dinheiro e o restante em ações da Hypermarcas que só poderão ser vendidas daqui a seis meses. Com o negócio, a Hypermarcas deve se tornar a maior empresa do setor farmacêutico, com receitas de R$ 2,5 bilhões no segmento e cerca de 800 representantes de vendas para visita médica.

Após a conclusão da operação, o bloco de controle da Hypermarcas - formado pelo fundador, João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, um grupo de investidores mexicanos, o presidente Claudio Bergamo, o diretor comercial Nelson José de Mello e a família Limírio Gonçalvez, que vendeu a Neo Química à Hypermarcas no ano passado - terá sua participação reduzida de pouco mais de 50% para cerca de 43%.

Esse é o desfecho de um processo de venda iniciado há quase dois anos. Além da Hypermarcas, participaram da disputa a brasileira Aché e o grupo britânico Glaxo SmithKline. Nesse período, o patriarca da Mantecorp, Gian Enrico Mantegazza, enfrentou problemas de saúde e foi seu filho, Luca Mantegazza, quem finalizou o acordo.

No negócio, a Mantecorp foi assessorada pelo Inspire Capital e pelo escritório de advocacia Martins, Chamon e Franco. A Hypermarcas foi assessorada pelo banco de negócios BR Partners e os bancos de investimento Credit Suisse e Itaú BBA, além dos escritórios Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados e Lefosse Advogados.

Por trás da expansão de portfólio da Hypermarcas está a necessidade da indústria de medicamentos de fazer frente ao fortalecimento do varejo. Em junho, a Drogaria São Paulo comprou a concorrente Drogão, tornando-se a maior rede do País. Na semana passada, a Droga Raia levantou R$ 654 milhões em sua oferta pública inicial de ações e destinará mais da metade desse valor à abertura de novas lojas.

Reunidas em cadeias, as farmácias têm exigido de seus fornecedores um portfólio de produtos cada vez mais amplo. Dessa forma, as varejistas podem lidar com um número menor de fabricantes, diminuindo a complexidade das operações de compra. A seu favor, a Hypermarcas ainda tem linhas de produtos para higiene e beleza, que também são vendidos em farmácias.

Sinergias. Além de todos os custos fixos, há dois pontos principais de sinergia entre a Mantecorp e a Hypermarcas. O primeiro é a fábrica da Mantecorp no Rio de Janeiro, que poderá ser usada para a produção de cosméticos da Hypermarcas.

O outro é a possibilidade de otimizar a venda de drogas de ambas as empresas: os medicamentos de prescrição da Mantecorp podem virar genéricos produzidos pela Neo Química, por exemplo.

Fabricante de produtos como o antigripal Coristina e o antialérgico Polaramine, a Mantecorp trabalha de forma independente desde 2006. Antes disso, Gian Enrico Mantegazza teve uma joint-venture com o laboratório americano Schering-Plough, que durou 17 anos.

Ao final desse período, a empresa de Mantegazza deixou de usar o nome Schering-Plough, adotou o Mantecorp e perdeu 14 dos 40 medicamentos que comercializava. Entre as perdas estavam alguns de seus produtos mais lucrativos. Desde então, a Mantecorp promoveu um grande esforço para se reinventar.

A Mantecorp tem um faturamento bruto de cerca de R$ 700 milhões e deve acrescentar cerca de R$ 250 milhões ao Ebtida (medida de geração de caixa) da Hypermarcas em 2011. 

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