Ibama notifica Volkswagen no Brasil a esclarecer sobre fraude descoberta nos EUA

Ibama notifica Volkswagen no Brasil a esclarecer sobre fraude descoberta nos EUA

Caso a violação das regras brasileiras seja comprovada, o órgão informa que a companhia poderá ser multada em até R$ 50 milhões; fraude envolve software que burla o teste de emissão de gases

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 11h20

SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) abriu investigação contra a Volkswagen no Brasil para verificar se algum carro da montadora no País possui o mesmo software que alterou os motores a diesel da marca nos Estados Unidos, para torná-los mais eficientes durante testes de emissões de gases.

Segundo a autarquia, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, a empresa será notificada nesta sexta-feira a prestar esclarecimentos. Caso a violação das regras brasileiras seja comprovada, o órgão informa que a companhia poderá ser multada em até R$ 50 milhões e será obrigada a corrigir o problema em todos os veículos que eventualmente possuam o equipamento.

A fraude envolvendo o software foi descoberta inicialmente nos Estados Unidos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês). O órgão americano afirmou que o equipamento teria sido instalado pela Volks nos modelos Beetle, Golf, Jetta e Passat, e pela Audi, no Audi A3, fabricados de 2009 a 2015. De acordo com a denúncia, o equipamento detectava quando os carros estavam sendo avaliados, ativava o controle de emissões de poluentes, que era desabilitado após os testes. No Brasil, contudo, o único veículo da Volkswagen a diesel é a picape Amarok. Todos os outros modelos são movidos à gasolina ou a etanol. Para o Ibama, a fraude descoberta nos Estados unidos é um "caso gravíssimo". 

Procurada pela Agência Estado, a assessoria de imprensa da Volkswagen no Brasil informou não ter sido notificada. Nos Estados Unidos, a montadora assumiu a fraude e confessou que o software está instalado em aproximadamente 11 milhões de veículos em todo o mundo. Ao assumir o erro, a empresa também anunciou que reservou 6,5 bilhões de euros para usar em ações que resolvam o problema. O escândalo levou à renúncia do presidente mundial da Volks, Martin Winterkorn. O executivo alega que não sabia da fraude, mas que abriu mão do cargo para deixar a montadora ter um novo começo. 

Inmetro. O Inmetro, autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por sua vez, informou que está "reunindo informações técnicas", "conhecendo detalhes" e monitorando as ações dos órgãos de fiscalização do exterior para decidir se irá ou não investigar a Volks no Brasil. O órgão é responsável pelo Programa de Etiquetagem Veículo, que atesta a eficiência energética de carros vendidos no Brasil. O teste, contudo, não contempla carros a diesel. "Como no Brasil ainda não há veículos de passeio movidos a diesel,  o monitoramento das ações dos órgãos responsáveis no exterior poderá  ajudar o instituto a se antecipar a eventuais fraudes aqui no País", disse o Inmetro em nota. 

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