IBGE: população brasileira duplicou em 34 anos

Rio, 30 - A população do Brasil praticamente duplicou em 34 anos, segundo mostra a pesquisa especial sobre Projeção da População do Brasil de 1980 a 2050, divulgada há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2004, segundo o instituto, o País vai atingir população de 182 milhões de habitantes, quase o dobro das 93 milhões de pessoas residentes em 1970. Em 2050, de acordo com o IBGE, a população brasileira poderá alcançar 259,8 milhões de habitantes, o que colocaria o País na sexta posição do ranking mundial, precedido da Índia (1,53 bilhão), China (1,39 bilhão), Estados Unidos (408,7 milhões), Paquistão (348,7 milhões) e Indonésia (293,8 milhões). O IBGE chama atenção no material de divulgação dos dados que desde os anos 60 a taxa de crescimento da população brasileira vem sofrendo consecutivos declínios, "intensificando-se juntamente com as quedas mais pronunciadas da fecundidade". O instituto lembra que, se o ritmo de crescimento populacional se mantivesse no mesmo nível observado na década de 50 (cerca de 3% ao ano), em 2004 a população residente no Brasil seria de 262 milhões. No entanto, a taxa de crescimento diminuiu dos 3% para 1,44% ao ano em 2004 e poderá alcançar 0,24%/ano em 2050. Espera-se, segundo o IBGE, que a população do País atinja o chamado "crescimento zero" por volta de 2062 apresentando, a partir daí, taxas de crescimento negativas. Os técnicos responsáveis pela pesquisa vão conceder entrevista daqui a pouco para comentar os dados. (Jacqueline Farid, segue) A vida média da população brasileira vai atingir 81,3 anos em 2050, basicamente o mesmo nível atual do Japão, segundo projeta a pesquisa especial sobre Projeção da População do Brasil de 1980 a 2050, divulgada há pouco pelo IBGE. Em 1940, segundo lembra a pesquisa, a vida média do brasileiro era de 45,5 anos. A barreira dos 70 anos de vida média no País foi rompida em torno do ano 2000, quando a média chegou a 70,4 anos, em conseqüência, segundo o IBGE, "dos avanços da medicina e a melhoria nas condições gerais de vida da população". Ainda de acordo com a pesquisa, a primeira posição no ranking das mais elevadas médias de vida é ocupada pelo Japão, com 81,6 anos, no período 2000-2005. O Brasil ocupa o 89º lugar com os 70,4 anos de 2000. Em escala mundial, a esperança de vida ao nascer foi estimada, para 2000, em 65 anos e, para 2045-2050, a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta uma vida média de 74,3 anos. (Jacqueline Farid, segue) O excedente feminino (mulheres a mais que homens) na população total brasileira, que em 2000 era de 2,5 milhões de mulheres, poderá atingir mais de 6 milhões em 2050, segundo divulgou há pouco o IBGE. A pesquisa do instituto revela que em 1980, para cada grupo de 100 mulheres, havia 98,7 homens. Em 2000, já eram 97 homens para cada 100 mulheres e, em 2050, a expectativa é que sejam 95 homens para cada 100 mulheres. (Jacqueline Farid, segue) A pesquisa mostra também que prosseguirá o envelhecimento da população brasileira. Em 2000, enquanto as crianças de 0 a 14 anos correspondiam a 30% da população total, o contingente com 65 anos ou mais representava 5%. Em 2050, ambos os grupos etários terão participação em torno de 18% da população total. Outro indicador que mostra o processo de envelhecimento da população brasileira, de acordo com a pesquisa, é o índice de envelhecimento. Em 2000, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos, havia 18,3 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, a relação poderá ser de 105,6 idosos para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos. Os técnicos da pesquisa alertam no material de divulgação que "essas são algumas referências que merecem especial atenção por parte dos formuladores das políticas públicas, pois elas guardam estreita associação com a demanda por postos de trabalho e a consequente capacidade da economia em gerar empregos para absorver um elevado contingente de pessoas em idade de trabalhar, com um considerável número, crescente a cada ano, de indivíduos que se aposentam". (Jacqueline Farid, fim)

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