IBGE prevê IPCA acima do teto da meta em junho

Altas das tarifas de ônibus, trem, água e esgoto em algumas cidades vão influenciar índice do mês

Fernanda Nunes e Maria Regina Silva, da Agência Estado,

07 de junho de 2013 | 12h17

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços Consumidor Amplo (IPCA) tende a ultrapassar em junho o teto da meta do governo, de 6,50%, no acumulado em 12 meses. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), neste mês, há uma série de altas de preços administrados e questões metodológicas que permitem prever uma alta relevante na inflação de junho.

Para a formação do IPCA em 12 meses, o instituto irá desconsiderar uma alta de 0,08% relativa a junho de 2012 para utilizar outra maior, de 0,43% relativa a julho. Entre os preços administrados, o índice de inflação deste mês sofrerá influência das altas das tarifas de ônibus urbano no Rio de Janeiro (7,27%), e em São Paulo (6,75%); da água e esgoto em Belo Horizonte (5,25%) e Fortaleza (8,51%); e do trem em São Paulo (6,75).

O IPCA de maio ficou em 0,37% em maio ante 0,55% em abril. Em abril, ele já havia ficado praticamente no teto da meta do governo, em 6,49%.

Na divulgação, o IBGE destacou o comportamento dos alimentos e bebidas, "que apresentou forte desaceleração ao passar de 0,96% em abril para 0,31% em maio, trazendo o impacto para o índice de 0,24 para 0,08 ponto porcentual, respectivamente". O grupo, porém, na avaliação de especialistas teve impacto sazonal e nos próximos meses pode voltar a pressionar a inflação.

Mesmo com a desaceleração de maio, a dinâmica inflacionária não é das melhores. Ao excluir dos cálculos os preços dos alimentos, o índice de difusão de maio (que representa o porcentual de preços de itens em alta do IPCA) teria uma taxa de 67,60%, frente a um aumento de 67,10% anteriormente, de acordo com o Besi Brasil.

"Acreditamos que será um movimento temporário e o IPCA tende a acelerar daqui para frente, voltando para 0,50% no quarto trimestre. Não acreditamos em melhora consistente da dinâmica da inflação no médio prazo", avaliaram o economista-sênior do banco, Flávio, Serrano, e o economista-chefe, Jankiel Santos, em relatório.

De acordo com os economistas, mesmo considerando a avaliação mais "hawkish" (conservadora) do Banco Central, o governo já sinalizou a intenção de manter a expansão de gastos correntes, na tentativa de impulsionar o crescimento econômico, o que também tende a elevar a inflação, segundo eles.

"Recentemente, elevamos nossa projeção de fim de ano para a taxa básica de juros para 8,75%, mas o ajuste da política monetária não seria suficiente para trazer a inflação para 4,5% (centro da meta) em um futuro próximo. Prevemos 6,0% em 2013 e 5,7% em 2014 para o IPCA", estimaram.

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