IEA: preços agrícolas fecham setembro com alta de 0,77%

São Paulo, 4 - O Índice de Preços Recebidos pelos agricultores (IPR) subiu 0,77% em setembro, 1,24 ponto porcentual a menos do que em agosto. O levantamento é do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Os preços agrícolas mantiveram a tendência de alta em virtude dos ganhos de preço nos produtos de mercado interno e das menores quedas dos preços nos mercados internacionais, mesmo com a valorização do real, informa o pesquisador Nelson Martin, do IEA. Dos 19 produtos pesquisados, dez apresentaram aumento no preço (algodão, amendoim, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, aves e suínos). Entre os vegetais, a alta nos preços de oito produtos, mesmo com a queda em outros seis, gerou elevação de 2,95% no índice do grupo. Já no segmento animal, o crescimento nas cotações de aves e de suínos não impediu a variação negativa de 3,15% nos preços do grupo. O resultado final foi o aumento de 0,77% no índice geral de preços agrícolas em setembro. Em 2004, a variação acumulada do IPR é de 2,93%, em comparação com 10,25% do IGP-M e 4,82% do IPC-Fipe (estimativa). Segundo Martin, isso indica lenta recuperação do poder de troca dos agricultores, ainda que com perdas de 7,32 pontos porcentuais em relação ao IGP-M e de 1,89 ponto porcentual frente ao IPC-Fipe. No ano, dez produtos apresentaram crescimento no preço, com destaque para batata, café, cebola, feijão, tomate e suínos que tiveram aumento acumulado superior a 20%. Já banana, cana-de-açúcar, aves e leite registraram aumentos inferiores a 20%, enquanto nove produtos tiveram reduções no preço, dos quais quatro com mais de 20% (amendoim, arroz, laranja e ovos). O IEA informa, ainda, que a variação dos preços agrícolas nos últimos 12 meses (até setembro) indica recuo contínuo do IPR até março de 2004, quando iniciou uma lenta recuperação. Com o desempenho em setembro, esse índice acumulado apresentou variação positiva de 5,28%, em comparação com 11,90% do IGP-M e 6,20% (estimado) do IPC-Fipe. Assim, os preços agrícolas, nos últimos 12 meses, apresentam perda de 6,62 pontos porcentuais em relação ao IGP-M e de 0,92 ponto porcentual frente ao IPC-Fipe. Nos últimos 12 meses, 11 produtos apresentaram crescimento positivo no preço, dos quais seis com altas superiores a 20% e cinco com taxa inferior a 20%. Nos últimos 12 meses, cebola, batata e tomate foram os destaques entre os produtos analisados, com expressiva alta nas suas cotações, por causa da menor oferta devido a problemas climáticos e do atraso no plantio e na colheita no ano de 2004. No caso do tomate, a menor oferta elevou fortemente os preços no ano e nos últimos 12 meses (217%). Em 2004, a batata foi um dos destaques entre os produtos analisados. O produto apresentou um dos maiores aumentos de preço no ano (86,21%) em virtude da menor área plantada na safra da seca e a perdas por excesso de chuva. O destaque de alta no mês de setembro foi o feijão (64,71%). O pesquisador do IEA explica que o período de entressafra vai ficar maior, por causa do atraso no plantio da safra das águas do ano agrícola 2004/05, com expectativa de falta do produto. Nelson Martin acrescenta que o preço do boi vem caindo em plena entressafra, em virtude do extenso período de estiagem e do fraco mercado consumidor, mesmo com as exportações crescentes. Em contrapartida, o preço dos suínos continuou em alta em setembro, por causa da oferta restrita e do crescimento das exportações, sendo o destaque dos produtos de produção animal no ano e nos últimos 12 meses.

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