IGP-M deve subir de 0,75% a 0,95% em agosto,dizem analistas

São Paulo, 27 - O IGP-M de agosto vai desacelerar o ritmo de alta em relação ao fechamento do mês passado (1,31%), segundo a expectativa do mercado financeiro. As projeções de 12 instituições consultadas pela Agência Estado variam de 0,75% a 0,95%. Esta redução também é esperada pelo próprio economista da FGV, Salomão Quadros, segundo expressou na semana passada. Ele comentou que, de uma maneira geral, a trajetória do resultado dos IGPs estava caminhando para uma faixa de 1%, mas os desempenhos mais recentes dos índices têm surpreendido pela rapidez no recuo das variações fazendo com que feche o mês abaixo de 1%. O resultado mais baixo deverá ocorrer porque o impacto dos combustíveis sobre o índice que a FGV divulgará na próxima segunda-feira, a partir das 8h30, terá uma influência bem menor do reajuste dos combustíveis, responsável pela aceleração do indicador em julho. Mesmo assim, continuará em um patamar alto em função da continuidade da elevação dos preços industrializados no atacado (IPA industrial). Para a MB Associados, que apresentou o piso das projeções (0,75%), o índice ficará estável se comparado com o IGP-10 de agosto (0,84%) e o resultado da segunda quadrissemana do IGP-M (0,62%). "O IPA deve vir pressionado pelos preços industriais, que ainda sofrem com as altas das commodities", analisou o economista Cristiano Souza, da MB Associados. Na Modal Asset Management, também é esperado um arrefecimento do IGP-M (0,88%). O IPA industrial estimado em 1,25%, por exemplo, contribuirá menos com o índice geral do que o de julho (1,94%). A economista Carla de Castro Bernardes, da instituição, também salientou o preços das commodities e ainda conta com um pouco de peso dos combustíveis no atacado. "Não há um destaque, o aumento é generalizado", afirmou. Segundo ela, o IPA total será de 0,98%; o IPA agrícola, de 0,30%; o IPC (preços ao consumidor), de 0,65% e o INCC (construção civil), de 0,95%. Para a Rosenberg & Associados, o IGP-M deste mês deverá ficar em 0,83%. "O IPA vai desacelerar porque não vai pegar mais a alta da gasolina, que veio em cheio em julho", disse o economista Fernando Fenolio. Para ele, os preços agrícolas podem ser uma surpresa do indicador, pois, no varejo, já é identificada uma alta neste segmento. "No geral, os preços no atacado deverão ser menores do que os do IGP-M anterior, apesar de pequenas pressões do setor de metalurgia", ressaltou. Sua expectativa é de que o IPA venha em 0,89%; o IPC, em 0,55% e o INCC, em 1,12%. A avaliação do economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, é de que a queda dos indicadores está ocorrendo rapidamente. "Os preços agrícolas estão subindo um pouco, mas os núcleos estão desacelerando em praticamente todos os índices", comparou. Para ele, este processo continuará nos próximos dois ou três meses até que o IGP-M atinja uma média de 0,50% ao mês. Lintz prevê que o IGP-M venha em 0,81%, com 0,86% no IPA total, 1,20% no IPA industrial, -0,05% no IPA agrícola, 0,70% no IPC e 0,85% no INCC. Já para a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Santander, a análise é de que os produtos industriais estão mostrando forte resistência à queda. "Eles subiram em junho e recuaram em julho, mas voltaram a registrar alta em agosto", comparou. Segundo ela, o setor metalúrgico, uma das principais fontes de pressão inflacionária no momento, já acumula alta de 25,2% desde o início de 2004. Na opinião dos analistas do setor na instituição, os produtores de aço ainda pretendem promover novos aumentos para chegar à meta de reajuste de 40% no ano. Veja abaixo as projeções do mercado para o IGP-M: MB Associados ............... 0,75%LCA Consultores ............. 0,80%BNP Paribas ................. 0,81%Rosenberg & Associados ...... 0,83%Banco Rendimento ............ 0,85%Banco Santander ............. 0,86%Modal Asset Management ...... 0,88%Banco Safra ................. 0,90%Banco BBM ................... 0,90%Merrill Lynch ............... 0,90%SulAmérica Investimentos .... 0,92%Unibanco .................... 0,95% (Célia Freoufe)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.