IGP-M tem deflação de 0,21% na 2ª prévia do mês

Até a segunda prévia de junho, o IGP-M acumula alta de 3,12% no ano e de 8,62% em 12 meses

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

21 de junho de 2011 | 08h20

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,21% na segunda prévia de junho, após apresentar inflação de 0,66% na mesma prévia de maio, informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas, que esperavam uma taxa entre deflação de 0,50% e inflação de 0,02%. A mediana das previsões apontava queda de preços de 0,16%.

A segunda prévia do IGP-M de junho teve o menor resultado para uma segunda prévia desde agosto de 2009 quando esse tipo de indicador caiu 0,46%. A informação é baseada em tabela contendo a série histórica do índice, disponibilizada pela FGV em seu portal na Internet.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo - Mercado (IPA-M) recuou 0,54% na segunda prévia do mês, após avançar 0,40% em igual período de maio. A segunda prévia de junho do IPA-M foi omenor  resultado nesse tipo de índice também desde  agosto de 2009,quando o IPA-M teve taxa negativa de 0,78%.

Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M) teve queda de 0,15% na segunda prévia deste mês, em comparação com o aumento de 0,97% na segunda prévia do mês passado. O IPC-M apresentou a menor taxa desde agosto de 2010 quando o IPC-M registrourecuo de 0,28%.

Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) registrou taxa positiva de 1,82% na segunda prévia deste mês, após alta de 1,67% no mesmo período de maio. O INCC-M assumiutrajetória diferente dos outros índices componentes do IGP-M, e teve amaior taxa  desde junho de 2010, quando o indicador  subiu 2,09%.

A taxa acumulada do IGP-M é bastante usada no cálculo de reajustes nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de junho, o IGP-M acumula alta de 3,12% no ano e de 8,62% em 12 meses.

Setores

A deflação nos preços agropecuários atacadistas se intensificou em junho. Os preços dos produtos agrícolas no atacado caíram 2,47% na segunda prévia do IGP-M de junho, em comparação com a queda de 0,93% apurada na segunda prévia do mesmo índice em maio.  Mas a inflação continua no setor industrial, embora de forma menos intensa. De acordo com a FGV, os preços dos produtos industriais no atacado tiveram aumento de 0,16% na segunda prévia anunciada hoje, em comparação com a alta de 0,90% na segunda prévia de maio.

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais caíram 0,57% na segunda prévia de junho, após subirem 0,15% na segunda prévia de maio. Já os preços dos bens intermediários apresentaram recuo de 0,59% na prévia divulgada hoje, em comparação com a elevação de 0,75% na segunda prévia do IGP-M de maio. Por fim, os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa negativa de 0,45% na segunda prévia de junho, em comparação com a alta de 0,24% na segunda prévia de maio.

Atacado

Até a segunda prévia do IGP-M de junho, o IPA-M acumula altas de 2,39% no ano e de 9,55% em 12 meses, ). O IPA-M representa 60% do total do IGP-M.

De acordo com a fundação, até a segunda prévia deste mês, os preços dos produtos agrícolas no atacado acumulam aumentos de 0,71% no ano, e de 19,26% em 12 meses. Já os preços dos produtos industriais no atacado registram altas de 3,00% no ano, e de 6,50% em 12 meses.

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais acumulam taxas positivas de 1,06% no ano e de 4,18% em 12 meses até junho. Por sua vez, os preços dos bens intermediários registram altas de 2,56% no ano, e de 5,08% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas registram inflação de 3,73% no ano, e acumulam taxa positiva de 23,66% em 12 meses, até a segunda prévia de junho.

Na análise da movimentação de preços entre os produtos no atacado na segunda prévia do IGP-M deste mês as altas de preço mais expressivas foram registradas em minério de ferro (8,75%); soja em grão (2,73%); e leite in natura (3,02%). Já as mais significativas quedas de preço no atacado foram apuradas em álcool etílico anidro (-31,32%); aves (-8,15%); e algodão em caroço (-11,22%).

Varejo

No varejo, a inflação medida pelo IPC-M acumula elevações de 3,97% no ano e de 6,26% em 12 meses, até a segunda prévia do IGP-M de junho. O IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, o retorno à deflação na taxa do IPC-M, na passagem da segunda prévia do IGP-M de maio para igual prévia do mesmo indicador em junho (de 0,97% para -0,15%), foi influenciada principalmente por decréscimo nas taxas de variação de preços em seis das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador. Os destaques ficaram por conta das quedas de preços apuradas em Alimentação (de 1,09% para -0,81%) e em Transportes (de 1,61% para -1,33%). Na primeira classe de despesa, houve quedas e desacelerações de preços em hortaliças e legumes (de 5,92% para -3,42%), frutas (de -0,98% para -5,19%) e laticínios (de 2,40% para 0,96%). Já na segunda classe de despesa houve quedas de preços em combustíveis, como gasolina(de 5,51% para -3,37%) e álcool combustível (de 0,25% para -16,43%).

Outras quatro classes de despesa mostraram desaceleração de preços, de maio para junho. É o caso de Vestuário (de 1,61% para 0,63%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,11% para 0,58%), Despesas Diversas (de 0,48% para 0,16%) e Habitação (de 0,71% para 0,42%).

O único grupo a mostrar aceleração de preços, no período, foi o de Educação, Leitura e Recreação (0,31% para 0,42%).

Entre os produtos pesquisados no varejo pela fundação, as altas de preços mais expressivas foram apuradas em tomate (14,75%); aluguel residencial (0,73%); e passagem aérea (14,57%). Já as mais significativas quedas de preços foram registradas em batata-inglesa (-23,44%); gasolina (-3,37%); e álcool combustível (-16,43%).

Construção

Na construção civil, a inflação no setor medida pelo INCC-M acumula aumentos de 5,93% no ano e de 8,23% em 12 meses, até a segunda prévia do IGP-M de junho - sendo que o INCC representa 10% do total do IGP-M.

De acordo com a FGV, a aceleração na taxa do INCC-M, da segunda prévia do IGP-M de maio para igual prévia em junho (de 1,67% para 1,82%) foi influenciada por aumentos mais intensos nos preços de mão de obra (de 2,90% para 3,22%), no mesmo período.

Entre os produtos pesquisados, a FGV informou que as mais expressivas altas de preço na construção civil foram registradas em ajudante especializado (2,53%); servente (3,21%); e carpinteiro - fôrma, esquadria e telhado (3,80%). Já as mais expressivas quedas de preços foram registradas em condutores elétricos (-3,81%); madeira para telhados (-0,09%); e pedra britada (-0,13%).

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