Impacto do câmbio explica queda no lucro da Vale

Empresa fecha 3º trimestre com ganhos de R$ 7,9 bilhões e receita de R$ 28,6 bilhões

Irany Tereza e Mônica Ciarelli, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2011 | 19h11

O lucro da Vale no terceiro trimestre caiu 25,2% em relação ao mesmo período de 2010, alcançando R$ 7,89 bilhões no balanço elaborado pelo padrão contábil internacional (IFRS). Apesar do recorde na geração de caixa (R$ 16,1 bilhões) e no acumulado de 12 meses (R$ 61,1 bilhões), a perda de R$ 4,1 bilhões somente com a desvalorização do real frente ao dólar foi determinante no desempenho da mineradora.

Não fosse o efeito do câmbio, que tem reflexos em receita (praticamente toda em dólar), custos em dólar, estoques e administração de instrumentos financeiros de proteção contra a volatilidade da moeda, o lucro líquido teria aumentado. No terceiro trimestre de 2010, a geração de caixa, então recorde, havia sido de R$ 15,92 bilhões. O resultado em 2011 foi 1,2% superior. Apenas com derivativos cambiais, usados como medida de contenção dos efeitos de variação cambial, o impacto foi de R$ 1,21 bilhão.

No documento com o detalhamento de seu balanço operacional e financeiro, a Vale prevê que o impacto cambial se manterá pelos próximos trimestres, "a não ser que haja uma reversão na variação da taxa de câmbio, em que a variação do terceiro trimestre de 2011 fosse hipoteticamente compensada por uma apreciação do real pelo menos na mesma magnitude".

A receita operacional da mineradora no terceiro trimestre ficou em R$ 28,63 bilhões, um crescimento de 11,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Acostumada a sucessivos recordes de vendas, produção e lucratividade, a Vale não registrava recuo de lucro há muito tempo. No segundo trimestre deste ano, por exemplo, o aumento em relação ao mesmo período do ano passado foi de quase 55%, com um resultado recorde de R$ 10,275 bilhões. O saldo do terceiro trimestre veio até abaixo do que esperavam analistas de mercado que acompanham o setor.

Vendas. As vendas de minério de ferro e pelotas - principal produto da Vale - atingiram 77,453 milhões de toneladas no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 1,49% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a Vale, as vendas ficaram abaixo da produção recorde de 85,032 milhões de toneladas registrada no terceiro trimestre.

Esse descasamento, informou a mineradora, foi motivado por três fatores: a necessidade de reconstituir os estoques operacionais necessários para a manutenção de eficiência na distribuição; o acúmulo de estoques demandado pelo início das operações de pelotas e do centro de distribuição de Omã; e a diminuição da demanda por minério de ferro no Brasil, o que levou a um aumento transitório nos estoques, enquanto os produtos são realocados para outros mercados.

Apesar do resultado menor a Vale - que destina em torno de 80% de sua produção nacional à exportação - mantém o otimismo em relação à demanda mundial por minério e espera uma recuperação da crise global.

"Observando-se as duas maiores economias do mundo, os Estados Unidos e a China, não há sinais de que caminhem em direção a uma recessão. Os últimos dados para ambos os países são animadores, com produção industrial e vendas no varejo crescendo continuamente. A nosso ver, o risco de os países desenvolvidos apresentarem lento crescimento por um longo período, juntamente com estagnação em algumas economias, é maior do que o risco de o mundo entrar em recessão."

 

(Texto atualizado às 20h31)

Tudo o que sabemos sobre:
lucrovale

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.