Impasse sindical trava integração de Azul e Trip

A proposta de equiparação salarial de tripulantes da Azul e da Trip foi recusada, na segunda-feira, 21, em assembleia do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa pilotos e comissários. A recusa do sindicato ocorre no mesmo dia em que as empresas receberam o aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar como uma única companhia aérea e usar o mesmo Certificado de Operador Aéreo (COA), de acordo com decisão publicada no Diário Oficial da União (DOU).

MARINA GAZZONI, Agencia Estado

22 de outubro de 2013 | 09h09

Azul e Trip hoje têm pacotes de remuneração diferentes e a equiparação salarial é um dos passos que ainda precisam ser definidos para a conclusão da fusão. A remuneração depende de um salário base e um variável, que são diferentes nas empresas. A Azul, por exemplo, paga adicional de periculosidade e a Trip não. Uma calcula o salário variável com base em horas voadas e a outra por quilômetro.

No fim das contas, os trabalhadores da Trip tinham uma remuneração maior, diz o sindicato. ?A proposta da Azul traria uma queda de rendimentos para os pilotos da Trip em algumas situações, como em períodos de baixa produtividade?, disse o presidente do SNA, Marcelo Ceriotti. Segundo ele, se a empresa não fizer uma contraproposta, a decisão será da Justiça do Trabalho. Procurada, a Azul não comentou a questão.

A fusão de Azul e Trip foi anunciada em maio de 2012 e aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em março deste ano. Para o passageiro, as companhias já se integraram - os voos de Azul e Trip são vendidos no mesmo site e o nome Azul prevaleceu. Mas, para a Anac, elas ainda funcionavam como duas empresas separadas, com tripulação e frota próprias. Com COAs diferentes, um piloto da Trip não pode voar um avião da Azul. Com isso, a empresa precisa manter duas escalas de voos e deixa de aproveitar sinergias da fusão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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