Impasse sobre dívida dos EUA é, sobretudo, jogo político

Obama chegou a apoiar um acordo com cortes em programas sociais. Os republicanos, contudo, não têm cedido em sua posição de dificultar as negociações. Ambos têm um objetivo em comum: a eleição presidencial de 2012

Agência Estado,

20 de julho de 2011 | 13h32

A elevação do limite de endividamento dos Estados Unidos é, antes de mais nada, uma guerra política entre republicanos e democratas. O presidente Barack Obama chegou a apoiar um acordo para a redução do déficit que consista, principalmente, em cortes nos gastos, incluindo programas sociais. Os republicanos, contudo, não têm cedido em sua posição de dificultar as negociações de Obama e ameaçam obrigar os EUA a declarar moratória. Mas ambos os partidos têm um objetivo em comum: a eleição presidencial de 2012.

Republicanos e democratas tentam chegar a um acordo para elevar o teto da dívida que, por lei, está definido em US$ 14,3 trilhões. O prazo termina no dia 2 de agosto, quando vencem novas dívidas do país. Sem o acordo, os americanos correm o risco de entrar em situação de calote.

Na noite de terça-feira, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, por 234 votos a 190, um plano que para elevar o teto da dívida. Contudo, esse não o plano defendido pelo presidente americano e ainda corre o risco de ser barrado pelo Senado, onde ainda será votado, ou ser vetado por Obama.

O plano, formulado pelo partido Republicano, permitirá a elevação do teto da dívida dos EUA em US$ 2,4 trilhões, caso o Congresso concorde com um corte de gastos de US$ 111 bilhões no próximo ano; limite os gastos nos próximos anos a uma determinada porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) e aprove uma emenda à Constituição referente ao orçamento.

Já a proposta apreciada por Obama envolve o aumento de US$ 1,2 trilhão na arrecadação no esforço para cortar a dívida federal em US$ 3,7 trilhões nos próximos dez anos. Essa proposta foi negociada por um grupo de seis senadores republicanos e democratas, conhecido como "gangue dos seis".

Caso Obama não consiga consenso entre os políticos, a alternativa é a proposta negociada pelos senadores Mitch McConnell, líder da minoria republicana, e Harry Reid, líder da maioria democrata. Nesse acordo, a dívida teria um aumento de US$ 2,5 trilhões em 2012, com cortes de despesas públicas de apenas US$ 1,5 trilhão nos próximos dez anos.

Jogo político. Para emperrar o processo, os republicanos estão encontrando mais do que poucas falhas no plano para corte do déficit norte-americano apresentando pela "gangue dos seis", o qual não rejeitaram imediatamente, diz o Wall Street Journal.

Segundo o jornal, a mais recente evidência está em uma análise do Comitê de Orçamento dos Republicanos na Câmara, que indica uma elevação de US$ 2 trilhões com receitas relacionadas às regras atuais para impostos. Essa receita é consideravelmente superior aos US$ 1,2 trilhão que a "gangue dos seis" argumenta que seria recolhido em novos impostos.

Republicanos também argumentam que o plano de Obama tem como base pesados cortes com defesa para as reduções de gastos, destaca o WSJ. Ainda, parece ser fraco em itens específicos, quando se trata de reduzir custos com benefícios concedidos pelo governo, e não prevê o retrocesso da lei de 2010 para a saúde, a qual os conservadores consideram ter aumentado os problemas relacionados aos benefícios. Já os defensores do plano dizem que colocam em prática reformas de longo prazo que ajudarão a reduzir os gastos com saúde.

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