Imprensa criou ‘celeuma’ sobre negociações, diz Pimentel

Ministro ressaltou que, caso BNDES entre no negócio, dinheiro público não será envolvido 

Daiene Cardoso, da Agência Estado,

30 de junho de 2011 | 15h47

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, disse nesta quinta-feira, 30, que a imprensa criou uma celeuma desnecessária em torno das negociações do BNDESPar para uma eventual fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour. Em almoço promovido em São Paulo pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, o ministro ressaltou que, caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre no negócio, não haverá dinheiro público.

"Uma certa celeuma é bom, nós vivemos numa democracia e eu lutei por isso na minha juventude e eu me orgulho muito disso. Agora, fazer um tsunami num copo d'água não convém para nós. É bobagem, é atrapalhar o andamento dos negócios que estão sendo feitos. E estão sendo feitos de maneira transparente", disse. "Que maravilha é viver em uma democracia. Será que na China é assim? Não é, mas eu não troco o Brasil pela China", completou.

Pimentel almoçou com empresários associados à entidade e demonstrou irritação, ao ouvir a pergunta de jornalistas sobre o negócio e perceber que a plateia aplaudiu o questionamento. "É uma operação normalíssima. Pode ser feita ou não pelo banco, o qual tem autonomia para resolver", disse.

De acordo com o ministro, a operação está sendo examinada pelo BNDESPar e ainda não foi aprovada. Pimentel destacou que a análise está sendo feita do ponto de vista da viabilidade do negócio, seguindo rigorosamente os critérios do banco. "O BNDESPar não trabalha com dinheiro público, trabalha com ativos próprios do banco para comprar e vender ações. Ele compra e vende ações todos os dias", esclareceu.

Embora seja do conselho do BNDES, Pimentel disse que não participará da decisão final da BNDESPar, uma vez que a última instância a avaliar a possível fusão é a diretoria do próprio banco. Ainda sim, o ministro voltou a defender a compra de ativos pelo BNDESPar. "Acho que tem mérito na operação, surgindo um grande grupo com forte participação brasileira terá, aliás, a maioria brasileira".

Questionado sobre a relação do empresário Abilio Diniz com o governo, Pimentel afirmou que o negócio em discussão dentro do BNDES "não tem nada de excepcional". Ele negou que tenha havido influência do empresário na questão, pelo fato de Diniz fazer parte da Câmara de Gestão do governo. "Tem outros empresários que participam da Câmara. Isso não tem nada a ver", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.