Inadimplência do Bradesco cai a 3,6% no 4º trimestre

O índice de inadimplência do Bradesco, considerando os atrasos superiores a 90 dias, voltou a cair no quarto trimestre de 2010. Foi o quinto período consecutivo de baixas, puxado pela melhora mais expressiva na carteira de pessoas físicas. O indicador total terminou dezembro em 3,6%, ante 3,8% no trimestre anterior e 4,9% em dezembro de 2009.

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, Agencia Estado

31 de janeiro de 2011 | 09h17

No caso da pessoa física, a inadimplência terminou o quarto trimestre em 5,5%, ante 5,9% do período anterior e 7,4% de dezembro de 2009. Nas pequenas e médias empresas, o indicador fechou o período em 3,4%, abaixo dos 3,7% no trimestre anterior e 4,8% no quarto período de 2009.

O saldo da provisão para devedores duvidosos (PDD) fechou dezembro em R$ 16,3 bilhões. Desse total, R$ 13,3 bilhões são referentes às provisões requeridas pelo Banco Central (BC) e os outros R$ 3,0 bilhões são provisões excedentes. Mesmo com a melhora dos ativos de crédito, o banco informa ter aumentado as provisões no quarto trimestre, mas ressalta que esse aumento se deu na "provisão genérica", sendo uma ação "mais preventiva em função do rating de clientes, não estando atrelada a possíveis atrasos."

Já a despesa com a PDD registrou aumento de 11,5% no quarto trimestre, para R$ 2,295 bilhões. O banco atribuiu essa alta ao incremento de 8,4% nas operações de crédito, refletindo na elevação das provisões genéricas. No ano de 2010, a despesa de PDD totalizou R$ 8,703 bilhões, apresentando uma redução de 24,2% no comparativo anual.

Em meio ao forte crescimento do crédito, o Índice de Basileia do Bradesco caiu três pontos porcentuais em 12 meses. O indicador, que mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer seu capital, fechou o quatro trimestre de 2010 em 14,7%, ante 17,8% do mesmo período de 2009.

Projeções

Ao anunciar os resultados de 2010, o Bradesco também divulgou suas principais projeções para 2011. O banco espera crescimento de 15% a 19% na carteira total de crédito, que deve ser puxado pelos empréstimos a pequenas e médias empresas e pelo crédito consignado.

Na pessoa física, a aposta é na expansão de 13% a 17%. Na pessoa jurídica, de 16% a 20%. Dentro desse segmento, as pequenas e médias companhias devem continuar sendo o destaque em crescimento, com projeção de expansão de 20% a 24%. Já as linhas de crédito para grandes empresas devem ter desempenho mais modesto, com alta de 11% a 15%.

Entre os produtos de crédito, o empréstimo consignado (com desconto em folha de pagamento) deve ser a linha de maior crescimento este ano, com alta de 30% a 34%. O financiamento de veículos vai crescer entre 10% a 14%, segundo as projeções do Bradesco. Essa linha foi a mais atingida pelas medidas do BC para frear o crédito ao consumo, anunciadas em dezembro.

O segmento de cartões deve crescer de 9% a 13%. O banco deve começar a operar, ainda neste trimestre, em parceria com o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal, a bandeira Elo, voltada para o público de menor renda. No setor de seguros, que respondeu por 29% do lucro do banco no ano passado, a previsão é de que os prêmios cresçam entre 10% e 13% este ano. Já a projeção para as despesas operacionais (administrativas e pessoais) prevê aumento de 11% a 15%. A margem financeira (juros) deve ficar entre 18% e 22%.

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