Inadimplência está no maior patamar da série, com influência de veículos

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, atrasos são reflexo da expansão do crédito para automóveis em 2010

Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

26 de junho de 2012 | 11h38

BRASÍLIA - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou nesta terça-feira, 26, que a inadimplência total está no maior patamar da série, iniciada em junho de 2000, em 6%. Na pessoa física, o 8% de maio é o maior nível de atraso desde maio de 2009, quando estava em 8,5%.

Ele disse ainda que a inadimplência se mantém em um patamar elevado, influenciado pelo crédito para pessoa física, particularmente no segmento de veículos, cujos atrasos refletem a expansão desse crédito no segundo semestre de 2010.

"Tivemos naquele período uma expansão bastante pronunciada e que ainda repercute na carteira de crédito", afirmou Maciel em relação ao crédito para veículos.

Ele disse, no entanto que as "safras" desse crédito concedido em 2011 mostram qualidade melhor. "Os atrasos cresceram até julho de 2011 e, desde então, tem mostrado retração."

Maciel disse ainda que as novas medidas de estímulo ao crédito de veículos não representam perda de qualidade da carteira, pois houve "um processo de aprendizagem" ao longo desses dois anos.

"Os bancos se tornaram mais seletivos. Espera-se crescimento, mas com garantia, qualidade e seletividade, de modo que não venha a se traduzir em aumento de inadimplência nos próximos meses."

Maciel afirmou também que o BC espera ver, já ao final deste ano, retração da inadimplência como um todo. "A expectativa é que haja acomodação e retração até o final do ano na pessoa física. Pessoa jurídica está mais estável. Pessoa física é que tem determinado o comportamento da taxa como um todo."

Crédito 

O crédito para veículos voltou a crescer em maio, após dois meses seguidos de queda, apesar do porcentual de atrasos ter batido novo recorde. As medidas de incentivo ao setor automotivo anunciadas no fim do mês passado já provocaram aumento de 2,8% na média diária de financiamentos para compra de veículos, de abril para maio, segundo o BC. Essa recuperação ganhou força na primeira quinzena de junho, o que levou a instituição a projetar crescimento acima de 10% nesses financiamentos neste mês.

A retomada no crédito para veículos se deu após o anúncio de medidas de incentivos às vendas, que incluíram redução de imposto e liberação de recursos para empréstimos. Além disso, os bancos se comprometeram com o governo a destravar essas operações, que atingiram em abril o menor patamar desde fevereiro de 2010.

Também contribuiu para isso a política de redução dos juros adotada pelos bancos públicos e seguida pelos privados neste início do ano. A taxa média está em queda há três meses e passou de 17,5% para 15,2% ao ano (equivalente a 1,2% ao mês) neste período, menor patamar desde março do ano passado. A taxa mais baixa praticada por bancos de montadoras para veículos caiu de 1,18% no final de janeiro para 0,85% ao mês em meados de junho.

Histórico

O governo tem agido para estimular a oferta de empréstimos e financiamentos como mecanismo para levar à uma recuperação econômica mais forte no país ao mesmo tempo em que garante que a inadimplência irá recuar ainda neste ano.

Para estimular o crédito, no final de maio, por exemplo, o governo reduziu Imposto sobre Operações de Financiamento (IOF) para operações voltadas a pessoas físicas, mas antes disso já havia colocado os bancos públicos para liderar movimento de redução das taxas de juros ao consumidor final.

Os bancos estavam receosos com os sinais claros de aumento de inadimplência, com destaque para a aquisição de veículos.

Para o governo, manter o mercado de crédito aquecido é importante para estimular a economia, via demanda interna, neste momento de crise internacional. O próprio BC tem ajudado, ao reduzir em 4 pontos percentuais a Selic, para a mínima recorde atual de 8,50 por cento ao ano, e deve continuar o movimento de queda.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem dito que a redução da inadimplência vai ocorrer de maneira mais decisiva ao longo do segundo semestre, como resultado da maior qualidade de crédito oferecido a partir da segunda metade de 2011.

Além disso, Tombini prevê expansão do crédito ao longo dos próximos trimestres, em contexto de menores taxas de juros e spread bancário.

(Com informações da Reuters)

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