Inadimplência no BB cai de 3,3% para 2,3% em 2010

O Banco do Brasil (BB) encerrou o mês de dezembro com uma taxa de inadimplência de 2,3%, considerando os atrasos acima de 90 dias. No fim de 2009, o indicador estava em 3,3% e, em setembro de 2010, em 2,7%. O banco divulgou na manhã de hoje os dados de seu balanço referentes ao ano passado.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E LUANA PAVANI, Agencia Estado

17 de fevereiro de 2011 | 10h34

Além da melhora do nível de emprego e da renda da população, o BB atribui a queda do indicador a sua estratégia de apostar em linhas de crédito de menor risco, como o financiamento imobiliário, no qual a garantia é o imóvel, e o empréstimo consignado, com desconto das parcelas em folha de pagamento.

Em meio à redução dos calotes, o BB também conseguiu reduzir as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD). Elas somaram R$ 2,1 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 27,4% ante o mesmo período do ano anterior. Considerando o exercício de 2010, as despesas com PDD ficaram em R$ 10,7 bilhões, ante R$ 11,6 bilhões do ano anterior. O saldo total das provisões encerrou o quarto trimestre em R$ 17,315 bilhões, o que proporciona cobertura de 212,1% das operações vencidas há mais de 90 dias.

O BB também aumentou a recuperação de créditos que já estavam indicados como prejuízo. No ano de 2010, foram recuperados R$ 3,3 bilhões desses créditos, um montante 22,7% superior ao recuperado em 2009.

Crédito

Os empréstimos para pessoas físicas foram o destaque de crescimento na carteira de crédito do BB no ano de 2010, segundo os dados do balanço da instituição financeira. Os financiamentos liberados para o segmento avançaram 23,2% no ano e 5,3% no último trimestre do ano passado, encerrando o período em R$ 113 bilhões - um nível recorde. No caso das empresas, a carteira de crédito evoluiu 19,5% em 12 meses e 6,6% no trimestre, somando R$ 149,8 bilhões em dezembro.

Um dos destaques do segmento de pessoa física foi o crédito consignado, que teve expansão de 23% e chegou a um saldo de R$ 45 bilhões. O crédito imobiliário fechou o ano em R$ 3 bilhões e expansão de 92,8%. Já as operações de financiamento a veículos somaram R$ 27,4 bilhões no fim de dezembro, uma alta de 32,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O segmento de pessoas jurídicas teve como um dos destaques as micro, pequenas e médias empresas (MPE). O crédito a MPE registrou expansão de 13,3% em 12 meses e 5% no trimestre, com saldo de R$ 50,9 bilhões. O BB destacou a expansão de 6,2% nas operações de capital de giro. No agronegócio, o saldo da carteira atingiu R$ 75 bilhões, um crescimento de 12,9% em 12 meses. O total corresponde, segundo o BB, a 60,6% de todo o crédito bancário ao agronegócio no País e a 20,9% de toda a carteira de crédito do banco.

As operações de crédito e o resultado de operações com títulos e valores mobiliários responderam juntas por mais de 94% das receitas de intermediação financeira, que cresceram 24,3% no ano passado, de R$ 65,329 bilhões em 2009 para R$ 81,209 bilhões em 2010. As receitas de prestação de serviços somaram R$ 4,277 bilhões no quarto trimestre, uma alta de 4,3% ante o trimestre anterior e de 17,2% em relação ao quarto trimestre de 2009. Em 2010, elas totalizaram R$ 15,868 bilhões, alta de 17,4%. Os segmentos que mais contribuíram para a expansão das receitas foram os cartões de crédito, banco de investimento e seguros.

Índice de Basileia

O BB informou ainda que seu índice de Basileia fechou dezembro de 2010 em 14,1%, ante 13,8 em dezembro de 2009. O resultado indica um excesso de patrimônio de referência de R$ 14,6 bilhões, "o que permite a expansão de até R$ 110,7 bilhões em ativos de crédito, considerando a ponderação de 100%", como explica o banco, em relatório de desempenho sobre o resultado do quarto trimestre de 2010.

O índice de Basileia do banco foi fortalecido pelo aumento de capital via oferta pública de ações realizada em junho do ano passado. Na operação, o banco levantou R$ 7 bilhões, segundo o informe. "Além de fortalecer o capital de Nível 1 da instituição, a oferta expande o limite para que o BB reforce sua base de capital de Nível 2", ressalta o banco. O Basileia é um indicador que mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer seu capital. O Banco Central (BC) exige índice mínimo de 11%.

Outro índice, o de eficiência operacional, também apresentou melhoria. A relação entre as despesas administrativas e receitas operacionais passou de 43,4% em 2009 para 42,6% em 2010 - neste caso, quanto menor o índice, melhor.

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