Inclusão financeira torna política monetária mais eficaz, diz Tombini

Presidente do Banco Central defendeu avanços nos instrumentos de investimento financeiro e disse que inclusão deve ocorrer de maneira 'segura e sustentável'

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de novembro de 2011 | 17h07

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse nesta terça-feira, 22, que o contexto internacional de fragilidade econômica tem sido um referencial para o Brasil. "Temos o alerta dado pela recente crise financeira internacional", disse durante sessão solene do III Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira ao comentar sobre a possibilidade de uma tomada de risco excessivo por parte dos agentes. Segundo ele, "felizmente", o País conta com respostas para prevenir riscos. "Temos um sistema robusto no Brasil", garantiu.

O presidente salientou que o País tem investido mais em educação financeira e isso tem gerado transformações importantes. Ele enfatizou ainda a criação de um círculo virtuoso no Brasil, formado pelo crescimento do mercado de crédito e da economia geral. Como exemplo, citou que a relação crédito/PIB avançou da casa dos 20% para a de 50% recentemente. "Isso é fruto da estabilidade macroeconômica nos últimos anos", disse. "E, em parte, tem sido fruto de regras responsáveis para o sistema regulatório e prudencial", acrescentou.

O sucesso do País, de acordo com Tombini, é fruto também de outros fatores que ocorreram de forma simultânea, como o maior acesso a serviços financeiros e o aumento da taxa de emprego. Assim, conforme o presidente do BC, a inclusão financeira é importante principalmente por dois motivos. O primeiro é por ser um instrumento que pode contribuir para a redução das desigualdades social e o crescimento do País. O segundo é porque a inclusão fortalece o principal canal de transmissão da política monetária, que é o sistema financeiro. "A inclusão ajuda a aumentar eficácia da nossa política monetária e contribuirá para o aperfeiçoamento das políticas públicas".

Tombini defendeu que o processo de inclusão financeira vivida pelo Brasil nos últimos anos deve acontecer de forma "segura e sustentável". "O Brasil mudou bastante nas últimas décadas. Pessoas têm demandas específicas e novas tecnologias surgem a cada dia. Esse processo de inclusão financeira precisa ser conduzido de forma segura e sustentável", disse.

Um dos aspectos defendidos por Tombini é que haja avanço nos instrumentos de investimento financeiro. "Avançamos em serviços financeiros nos últimos anos, o mesmo não aconteceu com o investimento financeiro", disse.

Outro aspecto é a necessidade de maior oferta de educação financeira aos brasileiros que estão estreando no acesso às operações financeiras. "Para que o processo continue, é fundamental educação financeira", defendeu Tombini.

Também durante sessão solene do BC, Luiz Awazu Pereira, diretor de regulação do sistema financeiro da instituição, afirmou que a inclusão financeira reforça a economia e contribui para seucrescimento. Ele ponderou, porém, que o ritmo de crescimento do acessoa serviços precisa ser compatível com aumento da renda e do emprego.

Assim como enfatizou o presidente do BC, Alexandre Tombini, o diretor salientou que a experiênciainternacional mostra que existe um vínculo importante entre odesenvolvimento e a evolução do mercado de crédito. Ele também citou aimportância da estabilidade macroeconômica e financeira do País,obtida, de acordo com o diretor, "graças a nossa robustez regulatória".

Awazu disse também que o BC tem constatado que a inclusão financeira éação prioritária para a economia brasileira. "Acreditamos que aadequada inclusão favorece a redução da pobreza por dois efeitosinterligados: o desenvolvimento da indústria financeira e o aumento daqualidade de vida da população", argumentou.

Estabilidade

Tombini enfatizou que a estabilidade macroeconômica propicia um ambiente de maior previsibilidade e segurança para os agentes econômicos. "Pela experiência internacional, sabemos que o desenvolvimento econômico precisa de aprimoramento do mercado de crédito e maior acesso ao sistema financeiro", disse. Ele salientou que as duas missões perseguidas pelo BC são a estabilidade de preços e do sistema financeiro.

O presidente do BC lembrou que a série de seminários realizados pela autoridade monetária começou há 10 anos com o microcrédito como tema. "Detectamos que precisávamos ampliar horizontes, pois era apenas um tipo de operação, e ampliamos o escopo para microfinanças", disse. "Concluímos depois que o tema poderia ser alargado e resolvemos tratar da inclusão financeira", acrescentou.

O presidente do BC ressaltou que o esforço da instituição para aumentar o acesso aos serviços financeiros nos últimos anos gerou resultados. "Hoje, todos os municípios brasileiros têm acesso a pelo menos um ponto de serviço financeiro", disse, ao comentar a marca atingida no ano passado.

Entre as medidas adotadas pelo governo, Tombini ressaltou a popularização dos correspondentes bancários, sociedades de crédito ao micro empreendedor, expansão do crédito consignado e microcrédito, além da criação da conta simplificada bancária. "Tudo isso contribuiu para o amplo avanço da inclusão financeira no Brasil", disse.

Além disso, Tombini ressaltou que atualmente apenas cerca de 100 cidades brasileiras têm menos de três pontos de serviço financeiro. "Além de todos os municípios serem atendidos, também houve adensamento nos serviços", disse.

(Texto atualizado às 17h27)

Tudo o que sabemos sobre:
alexandre tombiniinclusão financeira

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.