Índice de reajuste do aluguel tem queda mais fraca em julho

 Deflação do IGP-M recuou para -0,12% em julho, ante -0,18% em junho, segundo a FGV

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

28 de julho de 2011 | 08h18

A deflação perdeu força no IGP-M, que teve queda de 0,12% em julho, após cair 0,18% em junho, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções (entre -0,04% e -0,20%), mas foi superior à mediana das projeções (-0,14%).

Já o INCC-M registrou taxa positiva de 0,59% este mês, em comparação com a elevação de 1,43% em junho.

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até julho, o indicador acumula taxas de inflação de 3,03% no ano e de 8,36% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de julho foi do dia 21 de junho a 20 de julho.

Atacado

O IPA-M caiu 0,22% este mês, após mostrar queda de 0,45% em junho. A inflação atacadista medida pelo IPA-M acumula altas de 2,26% no ano e de 9,19% em 12 meses até julho. O IPA-M representa 60% do total do indicador.

No atacado, os preços dos produtos agrícolas acumulam aumentos de 0,25% no ano e de 18,39% em 12 meses no âmbito do IGP-M. Já os preços dos produtos industriais registraram altas de 2,98% no ano e de 6,30% em 12 meses.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais tiveram aumentos de 1,16% no ano e de 4,63% em 12 meses até julho. Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram altas acumuladas de 2,93% no ano e de 5,45% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas acumularam aumentos de 2,66% no ano e de 20,91% em 12 meses, até julho.

Varejo

No varejo, a inflação junto ao consumidor medida pelo IPC-M apresentou recuo de 0,13% em julho, em comparação com a taxa negativa de 0,12% no mês passado. O indicador acumula altas de 3,86% no ano e de 6,33% em 12 meses até julho. O IPC-M representa 30% do total do índice.

Segundo a FGV, o leve aprofundamento da deflação na taxa do IPC-M, de junho para julho (de -0,12% para -0,13%) foi influenciado por decréscimos nas taxas de variação de preços em seis das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador. Entre os destaques estão quedas de preços mais intensas em Educação, Leitura e Recreação (de 0,55% para -0,07%) e em Alimentação (de -0,81% para -0,99%). Na primeira classe de despesa houve quedas de preços em passagem aérea (-7,28%) e em show musical (-2,65%); e no segundo grupo, taxas negativas nos preços de hortaliças e legumes (-5,06%); e de laticínios (-0,32%).

As outras cinco classes de despesa que apresentaram desaceleração foram Vestuário (de 0,83% para 0,50%), Habitação (de 0,45% para 0,29%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,54% para 0,40%) e Despesas Diversas (de 0,15% para 0,05%). O único grupo a apresentar acréscimo em sua taxa de variação de preços foi Transportes (de -1,34% para 0,11%).

Entre os produtos pesquisados junto ao consumidor, as altas de preço mais expressivas  foram registradas em aluguel residencial (0,53%); plano e seguro saúde (0,64%); e álcool combustível (3,29%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em tomate (-15,91%); batata-inglesa (-6,23%); e laranja pêra (-9,71%).

Produtos agrícolas

Os preços dos produtos agrícolas atacadistas caíram menos este mês, com queda de 0,84% em julho, em comparação com o recuo de 2,10% em junho, no âmbito do IGP-M. Segundo a FGV, que divulgou esta manhã o indicador, a inflação dos preços dos produtos industriais atacadistas também perdeu força, e passou de uma alta de 0,15% em junho para estabilidade (0,00%) em julho.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 0,02% em julho, após recuarem 0,50% em junho. Por sua vez, os preços dos bens intermediários registraram alta de 0,16% este mês, em comparação com a queda de 0,39% em junho. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram deflação de 1,00% em julho, após  caírem 0,47% no mês passado. 

Rumo à estabilidade

O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, afirmou que o IGP-M deverá manter uma trajetória de caminhada gradual ao terreno da estabilidade no mês de agosto. Em entrevista à Agência Estado, ele não se comprometeu com uma previsão definitiva de estabilidade ou de alta para a inflação do próximo mês, mas destacou que, depois de dois meses consecutivos de deflação, não está descartada a possibilidade de um retorno ao terreno de taxas positivas na sequência.

"Eu não poderia dizer que é mais provável que o IGP-M fique positivo ou negativo", comentou Quadros. "O que é muitíssimo provável é que o IGP-M prossiga na sua trajetória rumo ao terreno positivo", acrescentou.

De acordo com o coordenador, o cenário que reforça a caminhada do IGP-M a quedas menos intensas e mais próximas de zero é amparado especialmente pelo comportamentos dos preços do atacado, que representam 70% do indicador geral e que também vêm mostrando baixas menores a cada levantamento da FGV. No IGP-M de julho, por exemplo, os preços do atacado caíram 0,22% ante recuo de 0,45% verificado em junho.

"O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) está no seu percurso de volta à normalidade. A deflação de julho já foi a metade da verificada no mês anterior", destacou Quadros, citando como fator de pressão para uma queda menor o comportamento dos preços da indústria de transformação, com impacto importante da recuperação nos preços do álcool e também dos alimentos industrializados. "Não sei onde o IPA vai parar, mas o caminho dele é indiscutivelmente da elevação e gradativo abandono da deflação", avaliou, lembrando que o minério de ferro, com uma baixa 1,40% contra alta anterior de 6,86%, foi importante para aliviar os preços industriais do atacado.

Outro segmento de preços que reforça a análise do coordenador é o de preços ao consumidor, que representam 30% dos IGPs e que recuaram 0,13% em julho ante baixa de 0,12% em junho. Para Quadros, o fato desta parte dos preços estar sendo influenciada bastante pelo comportamento sempre instável dos preços de alimentos in natura não dá garantias de permanência do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) no terreno de quedas. Além disso, segundo ele, há uma tendência natural de que a baixa cada vez menor dos preços agropecuários do atacado (-0,84% em julho ante -2,10% em junho) seja repassada aos poucos para o consumidor.

Para a taxa acumulada do IGP-M do ano, Salomão Quadros não fez uma previsão para o encerramento de 2011, mas mantém uma estimativa de um resultado mais baixo que o de 2010, quando o indicador da FGV encerrou o período com uma taxa acumulada expressiva de 11,32%. Entre janeiro e julho, o IGP-M acumulou alta de 3,03% e, no acumulado de 12 meses até julho, taxa de 8,36%.

Segundo Quadros, a tendência é de uma desaceleração na taxa de 12 meses nas próximas divulgações da FGV. Tudo porque o cenário de resultados mensais do índice é de taxas bem mais amenas que as do mesmo período de 2010, quando houve uma sequência de divulgações de taxas próximas e até acima de 1%, como em setembro, outubro e novembro, que mostraram inflação de 1,15%, de 1,01% e de 1,45%, respectivamente. "A tendência é continuar baixando a taxa de 12 meses", disse.

(Texto atualizado às 15h27)

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