Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Indústria brasileira perde mais peso no mundo e é ultrapassada pela Rússia

O dado faz parte de um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em estatísticas, relativas ao ano passado, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 12h32

O Brasil caiu uma posição na indústria global desde o início da pandemia, que atingiu a produção no mundo inteiro, mas não na mesma intensidade. Entre os países que tiveram retração acima da média na atividade da indústria, o País foi superado pela Rússia ao cair da 13ª para a 14ª colocação no ranking dos maiores produtores industriais.

A queda do Brasil acontece enquanto a China abriu distância como maior país produtor industrial do mundo, sendo responsável por 31,3% da produção global.

O dado faz parte de um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em estatísticas, relativas ao ano passado, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. A conclusão da CNI é de que a manufatura brasileira segue perdendo relevância na economia mundial.

Desde 2009, quando o País ainda figurava entre os dez maiores produtores do mundo, o Brasil vem perdendo peso na indústria global, sendo ultrapassado nesse período por Índia, México, Indonésia e Taiwan, além da Rússia. Crises domésticas combinadas a uma presença menor em mercados internacionais reduziram para 1,32% - no dado de 2020, o último disponível - a participação no valor adicionado da indústria mundial que uma década atrás estava em 2%.

A última leitura é a mais baixa desde que a CNI começou a fazer, em 1990, o acompanhamento de quanto o Brasil responde da produção global. Segundo a entidade, o choque da pandemia na indústria brasileira foi mais severo do que em outros países emergentes como Rússia e Turquia.

A CNI observa que a queda da atividade industrial no Brasil, de 4,4%, foi superior à retração de 4,1% da produção mundial no ano passado, o que explica por que o setor continuou perdendo densidade no mundo.

Segundo estimativa da entidade, que tem como base estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a participação brasileira nas exportações mundiais da indústria de transformação caiu de 0,83%, em 2019, para 0,78% no ano passado. É também o menor porcentual da série estatística e que, segundo a CNI, deve ter derrubado o Brasil para a 31ª posição no ranking dos exportadores de bens industriais, sendo ultrapassado pela Indonésia.

“Em 2020, as exportações do Brasil de produtos manufaturados foram mais impactadas pela recessão global do que as exportações de produtos com grau de elaboração menor”, diz a gerente de política industrial da CNI e responsável pela pesquisa, Samantha Cunha.

"Apenas no fim do ano houve alguma reação das exportações desses bens, puxada pela recuperação rápida das principais economias do mundo no terceiro trimestre de 2020. Os novos surtos de covid-19, no entanto, reduziram o ritmo de recuperação”, acrescenta a economista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.