Indústria citrícola tende a retomar contratos de longo prazo

Cordeirópolis, 7 - A indústria processadora de suco de laranja deve retomar a opção por contratos de longo prazo com produtores, revertendo uma tendência existente no setor até meados deste ano. A expectativa é do diretor da FNP Consultoria, Maurício Mendes, que hoje fez palestra no 4º Dia da Laranja, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis. De acordo com ele, os fatores principais para que a indústria volte a optar por contratos mais longos são as perdas decorrentes dos furacões nos pomares da Flórida, nos Estados Unidos, e das doenças nos pomares brasileiros. Para Mendes, o primeiro reflexo dessas perdas ocorreu no mercado futuro de Nova York, no qual os preços saltaram de 57 cents por libra-peso para 89 cents por libra-peso no primeiro vencimento em pouco mais de 30 dias. "É um quadro totalmente diferente do primeiro semestre, quando havia uma superprodução na Flórida, uma expectativa de safra grande no Brasil e ainda não existia o diagnóstico da doença Greening", explicou o consultor. Mendes sustenta sua análise mostrando números que revelam redução na área plantada no Brasil e também no número de produtores no País. Entre 1999 e 2003, a área plantada com citros no Estado de São Paulo caiu de 850 mil hectares para 650 mil hectares e o número de produtores, que era de 23 mil em 1995, hoje é estimado em cerca de 12 mil. O consultor explicou, ainda, que boa parte da área perdida pelos pomares de laranja foi ocupada pela cana-de-açúcar, tendência que deve continuar em virtude das boas perspectiva para o setor sucroalcooleiro nos próximos anos.

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