Indústria de máquinas investe 20% mais em 2010

A indústria de máquinas e equipamentos prevê investir 8,9 bilhões de reais neste ano, valor 20 por cento acima do aplicado em 2009 e que será em grande parte consumido para substituição de parque fabril com idade média de 20 anos, afirmou o presidente da associação que representa o setor, Abimaq.

REUTERS

24 de fevereiro de 2010 | 18h14

O valor dos investimentos foi obtido em sondagem da Abimaq entre empresas fabricantes de máquinas e equipamentos e representa o maior volume desde os 6,186 bilhões de reais de 2005, segundo dados da entidade divulgados nesta quarta-feira. Em 2009, o setor investiu 7,426 bilhões de reais, com 28,1 por cento do total em troca de máquinas defasadas.

"Apesar da crescente importação de produtos chineses, do câmbio, da pesada carga tributária e dos juros elevados, o setor está otimista para os próximos anos e aproveitou a janela de oportunidade do financiamento para investir na troca de equipamentos", afirmou Luiz Aubert Neto, a jornalistas.

Ele se referiu à linha de financiamento criada pelo governo no ano passado, que oferece pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) juros de 4,5 por cento ao ano e estimula a aquisição e exportação de bens de capital.

Do total dos investimentos em 2010, "80 por cento é para substituição de máquina velha por nova," afirmou Aubert Neto.

Segundo ele, os setores que mais vão puxar a alta nos investimentos serão os voltados a fornecimento de máquinas e equipamentos para as indústrias de construção civil, petroleira e de siderurgia. Isso por causa dos estímulos à construção de moradias, obras governamentais, exploração de petróleo na camada pré-sal e a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no país.

Apesar do otimismo, o presidente da Abimaq voltou a mostrar preocupação com o crescimento de importações chinesas de máquinas e equipamentos pelo Brasil. Ele afirmou que até a metade deste ano a China deve passar a Alemanha como segunda maior fornecedora de máquinas e equipamentos ao Brasil.

Em janeiro, enquanto as importações vindas dos Estados Unidos caíram 16,2 por cento, para 424,2 milhões de dólares, as compras de produtos alemães avançaram 2,9 por cento, a 222,3 milhões, e as da China saltaram 34 por cento, a 192 milhões.

Aubert atribuiu o aumento da participação chinesa nas importações brasileiras, além do câmbio e impostos, à medida do governo federal que autorizou no final do ano passado a importação de bens de capital com isenção tributária por refinarias de petróleo das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. A medida vale inclusive para os produtos que possuem similares fabricados no país.

Segundo os dados da Abimaq, janeiro registrou o segundo maior valor de importação para o mês nos últimos dez anos, enquanto as exportações amargaram o pior desempenho desde 2003. Foram 1,6 bilhão de dólares em compras, recuo de 7,1 por cento sobre janeiro de 2009, e 465 milhões de dólares em vendas ao exterior, queda de 31,3 por cento na mesma comparação.

No mês passado, o setor de máquinas e equipamentos registrou queda de 26,1 por cento no faturamento nominal ante dezembro de 2009, para 4,63 bilhões de reais. Na comparação com janeiro do ano passado, o pior dos últimos dez anos, a receita cresceu 15,9 por cento.

"Tradicionalmente o faturamento cai em janeiro ante dezembro, mas não esperávamos uma queda dessa magnitude. Queda de 26 por cento é preocupante", disse Aubert Neto, que espera recuperação nos próximos meses. A expectativa para as vendas do setor em 2010 é de crescimento de 15 a 20 por cento, disse.

Questionado sobre a importação conjunta de aço por empresas fabricantes de equipamentos para o setor agrícola, Aubert Neto afirmou que a estratégia está sendo avaliada também pelos segmentos voltados à produção de equipamentos rodoviários. "O aço brasileiro é o mais caro do mundo, é de 20 a 30 por cento mais caro que o aço produzido na Alemanha", comentou, sem citar valores.

Segundo ele, apesar da Abimaq estar buscando um "diálogo" com as usinas siderúrgicas em torno dos preços cobrados no Brasil, os fabricantes de máquinas e equipamentos são livres para se organizar na importação de insumos. "Cerca de 80 por cento do nosso setor é formado por pequenas e médias empresas que não têm isoladamente poder de negociação com as usinas".

(Por Alberto Alerigi Jr)

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