Indústria de ração também disputa trigo do RS, reduzindo oferta

Uma parte considerável do trigo doRio Grande do Sul, onde a colheita está próxima de serfinalizada, deverá ser destinada para a produção de ração,diante de uma queda na qualidade do cereal e de uma baixaoferta de milho, em meio à forte demanda por grãos pelaindústria de carnes, disseram fontes do setor. "Vamos ter problemas de abastecimento de milho. Comoninguém quer esperar chegar o problema, o pessoal estácomprando trigo agora para empurrar para frente o estoque demilho", disse o corretor Marcelo de Baco, da gaúchaAgromercado, em entrevista por telefone. Baco afirmou que não é possível estimar, por ora, o volumede trigo que poderia ser destinado para ração, observando aindaque esse grão tem um mercado importante neste momento porque oBrasil está na entressafra de milho. O Rio Grande do Sul, o segundo produtor brasileiro detrigo, estima uma safra em torno de 1,4 milhão de toneladas,mas chuvas na colheita, geadas e doenças fúngicas como agiberela afetaram parte da produção, especialmente qualidadesdo grão valorizadas pela indústria de farinha. Os moinhos brasileiros, especialmente os gaúchos, que atépoderiam utilizar algum trigo de pior qualidade do Rio Grandedo Sul para misturar com um produto melhor, enfrentam ainda aconcorrência de exportadores, que já contrataram vendasexternas de cerca de 300 mil toneladas do produto gaúcho. O volume de trigo a ser utilizado para ração depende aindados preços comparativos com o milho. O trigo com qualidade paramoagem ainda é cotado a 2 reais (por saca de 60 kg) acima domilho. Mas o grão de trigo é depreciado quando afetado porproblemas climáticos, o que viabilizaria negócios. Segundo o técnico de trigo da Conab (Companhia Nacional deAbastecimento) Alex M. Chaves, a próxima estimativa do governopara o Brasil deve apresentar uma redução de no máximo 200 miltoneladas, em relação a 3,8 milhões de toneladas atualmenteestimadas, devido aos problemas na safra do Rio Grande do Sul. A questão principal sobre o trigo gaúcho, disse ele, estámesmo ligada à qualidade. "A produção do Brasil deve cair para3,7 milhões, 3,6 milhões de toneladas, mas grande parte daprodução do Rio Grande do Sul vai para ração", completou. OFERTA ESCASSA Já o corretor acrescenta que, mesmo a indústria de ração,não está em situação tão confortável, considerando que a ofertade trigo de qualidade está escassa no mundo, ainda mais apósnotícias de problemas da safra de trigo da Argentina,tradicional fornecedor do Brasil. "Diante disso, pode até acontecer uma retomada dasexportações do Rio Grande do Sul, isso depende de umaflexibilização dos padrões de qualidade do importador",observou Baco, lembrando que para alguns países que produzem opão ázimo o trigo gaúcho, mesmo com problemas, poderia servir. O diretor-geral da Emater, o órgão de assistência técnicado Rio Grande do Sul, Paulo Edgar da Silva, acrescentou:"Tivemos bastante chuva (na colheita) e isso prejudicou aqualidade do grão. Pouco trigo passou de 78 (o PH, pesohectolitro), a maior parte foi abaixo de 78." "Como o que tem de trigo de qualidade os exportadores estãopegando, vai faltar trigo de qualidade. O trigo de baixaqualidade vai para ração", disse o presidente do MoinhoPacífico, Lawrence Pih, em recente entrevista.

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