Indústria reivindica voto distrital e fim de suplente no Senado

Para presidente da Federação das Indústrias do Paraná, atraso político é a principal causa dos problemas econômicos

Marco Damiani, especial para O Estado de S. Paulo,

26 de maio de 2010 | 15h38

Em torno de organizações não governamentais, entidades associativas ou federações empresariais, o certo é que o público da Região Sul continua a dar mostras de exercitar uma participação política acima da média nacional. A partir desta semana, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) está buscando espaço nas agendas dos candidatos a presidente da República para entregar solenemente, dentro do Estado, o próprio rol de reivindicações.

O pacote inclui obras de logística e infraestrutura, como a instalação de um gasoduto no sentido leste-oeste, exigências sobre melhorias na rede de ensino oficial, com estabelecimento de metas para o desempenho de professores e alunos e uma série de mudanças no sistema tributário.

No Paraná, nada menos que 28 entidades da sociedade civil, com a OAB à frente, agem em torno do movimento "O Paraná que Queremos", que prega mudanças na política estadual e nacional. "Precisamos do voto distrital misto e do fim dos suplentes de senadores, uma excrescência da democracia brasileira", afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, durante exposição no evento Fóruns Estadão Regiões/Sul.

"O fortalecimento da sociedade civil é um imperativo para o nosso crescimento", disse Loures. Ele lembrou estar ocorrendo um processo continuado de desindustrialização da economia nacional, o que afeta diretamente a Região Sul.

"As reformas tributária e política, ambas substantivas, são o melhor remédio para combater esse processo". Loures chegou a defender a realização de uma assembleia nacional constituinte para reorganizar o desenvolvimento nacional. "Isso vai ser muito difícil de acontecer, mas não podemos abrir mão de termos posições claras sobre todos os assuntos."

No Rio Grande do Sul, a Federação da Agricultura igualmente não se furta a carregar bandeiras polêmicas. "O melhor seria acabar com o Incra", disparou o representante da entidade no evento, Fernando Adauto Loureiro de Souza. "Esse órgão só vem servindo, ao longo de anos, para desorganizar a produção no campo e fazer demagogia em nome da reforma agrária."

Gaúchos, catarinenses e paranaenses mostram-se escaldados pelas perdas, nos últimos anos, de empreendimentos industriais que nasceram na região mas migraram para outros Estados, em razão de atrativos fiscais.

"Quando o Sul fica muito pacífico, acomodado em suas estatísticas de área rica do País, sempre sai perdendo", afirmou o empresário José Paulo Cairolli, representante da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. Ele citou a ausência de um equipamento no aeroporto internacional de Porto Alegre, que viabilizaria pousos sob neblina, como exemplo do que a desmobilização política dos gaúchos acarreta. "Nosso aeroporto fica fechado constantemente porque simplesmente perdemos interlocutores para reivindicar ao governo federal a atualização das instalações e equipamentos", reclamou.

A ida da fábrica de calçados Grendene para o Ceará, recentemente, e a perda de projetos industriais para outras regiões foram citados como casos nos quais a falta de posicionamento político mais efetivo foi determinante para o desfecho. "A atual safra de dirigentes políticos do Sul se entendeu muito mal com o governo federal e o resultado foi a redução de investimentos e um certo esquecimento das nossas necessidades", disse o empresário Rodrigo Loures.

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