Indústria repassa aumentos de custos

Fogões, lavadoras e geladeiras chegam às lojas com alta de 8% a 9% nos preços, mas há itens que estão até 20% mais caros

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

25 de maio de 2011 | 23h00

Fabricantes de geladeiras, fogões e lavadoras aumentaram os preços entre 8% e 9% este mês. Há itens em que a alta chega a 20%. Esse reajuste já provoca reações do varejo. Na semana passada, num encontro do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reuniu 35 varejistas com ministro da Fazenda Guido Mantega, empresários do comércio pediram ao governo que negocie um pacto entre indústria e varejo para frear os aumentos.

O reajuste de preços da linha branca ocorre exatamente num momento em que a inflação mensal dá sinais de arrefecimento em razão do alívio das cotações dos alimentos e dos combustíveis, por causa da safra. Um novo foco de pressão de preços seria danoso para a governo que tenta domar a inflação.

"Reajustamos entre 8% e 9% os preços de diversas categorias de produtos da linha branca", afirma José Drummond, presidente da Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul e que lidera o mercado de eletrodomésticos. Ele diz que esse é o primeiro aumento em dois anos e meio e que pressões de custos levaram a empresa a tomar essa decisão. "As empresas são privadas. Tenho de olhar os meus custos e as minhas receitas."

O presidente do IDV, Fernando Castro, diz que fazia tempo que não havia aumentos dessa magnitude. "A realidade atual é que é que estas demandas de aumentos se concentraram nos últimos meses em porcentuais bem maiores do que aqueles que vinham sendo solicitados."

Drummond conta que a nova tabela de preços da empresa está em vigor desde o início do mês e que não detectou redução nas vendas por causa do reajuste.

Boicote. Isso não é o que diz o varejo. Além de pedir socorro para o governo para frear os aumentos, os varejistas já estariam deixando de comprar os itens com preços reajustados. De acordo empresários do comércio, o boicote aos aumentos de preços ainda não está visível para o consumidor porque as lojas tem estoques. Mas, ainda segundo fontes de mercado, já estariam faltando nas lojas determinados modelos específicos de produtos.

Na análise do varejo, o repasse desse aumento de preço para consumidor é inevitável porque as margens de comercialização estão muito espremidas. Depois do dia das Mães, os lojistas notaram uma certa desaceleração no ritmo de crescimento das vendas de eletrodomésticos. O temor do comércio é que o quadro se agrave com aumento de preço. Procuradas pelo Estado, Electrolux e Eletros não comentam e a Mabe nega aumentos.

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