Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Indústria sofre com a ‘quebradeira’ de clientes

Pesquisa do Simpi-SP mostra que o acesso das pequenas e médias empresas do setor ao crédito tem caído substancialmente

Ligia Tuon, Especial para o Estado

31 de março de 2015 | 07h06

Pelas projeções feitas pelo empresário Fabio Mazzon Sacheto para 2014, no pior dos cenários, sua indústria de cosméticos teria um resultado três vezes maior em relação ao apresentado no ano anterior, quando chegou a faturar R$ 3,5 milhões. Sua receita líquida, no entanto, despencou para R$ 1,1 milhão, colocando uma luz vermelha em sua fábrica, a Florus.

“Em 2014, dois dos meus clientes quebraram e seis deixaram de fazer pedidos”, conta Sacheto. “O problema é que todos eles faziam parte dos 12 responsáveis por 80% do faturamento da Florus”, lamenta.


Mas não foi só a Florus que passou por maus momentos e busca rever planos para o futuro. Pesquisa encomendada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP) mostra que o acesso das pequenas e médias empresas paulistas do setor ao crédito tem caído substancialmente. “Menos da metade das pequenas que conseguiram dinheiro no sistema financeiro em janeiro tiveram crédito em fevereiro”, comenta Joseph Couri, presidente da entidade. 

Além disso, segundo a mesma pesquisa, 75% das pequenas indústrias de São Paulo têm achado mais fácil importar qualquer tipo de produto do que fabricá-los, mesmo com o dólar superando R$ 3,20. Com isso, em março, 13% delas planejavam fazer demissões e apenas 9% pretendiam contratar. 

“A indústria perdeu muito de sua competitividade por causa da elevação dos custos no mercado interno, como energia elétrica, insumos e combustível”, analisa Joseph Couri.

A turbulência no setor, porém, traz um ponto positivo. Apesar de todo cenário econômico desfavorável, a avaliação de cada empresa paulista sobre seu desempenho melhorou de janeiro para fevereiro. 

“A quantidade de companhias que acredita na melhora do negócio passou de 39% para 47%”, revela o presidente do sindicato da indústria. 

Estratégia. O que manteve a Florus viva, segundo Fábio Sacheto, foi a junção de duas situações distintas: o pagamento antecipado das encomendas e a atuação da marca no varejo com loja própria, responsável por vender a linha usada em salões de beleza, a Modelare.

“Com R$ 300 mil de contribuição no faturamento anual, a Modelare vai me ajudar a escoar nossa produção, já que, apenas com a fábrica, não tem como fazer estratégia direta para aumentar vendas”, afirma o empresário. 

Já o pagamento antecipado – política que a Florus sempre teve em relação aos seus clientes – ajudou a empresa a não sofrer com a falência de alguns parceiros. “Esse ano estamos com a mentalidade totalmente diferente. No melhor cenário, poderemos faturar R$ 1,5 milhão, que é menos da metade do que fizemos em 2013, mas é uma expectativa muito mais realista.” 

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