Indústria sofre com concorrência de importados

Para economistas, setor vem 'patinando' desde meados do ano passado em contraposição ao consumo

Célia Froufe, da Agência Estado,

22 de julho de 2011 | 19h32

A entrada de produtos importados no Brasil, que encontram um ambiente propício de competição com a valorização do real, tem suprido o descompasso entre a demanda aquecida do comércio e o arrefecimento da indústria. A avaliação é de dois economistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, após a leitura dos dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de junho, divulgados nesta sexta-feira, 22.

"A indústria vem patinando desde meados do ano passado em contraposição ao consumo", salientou a analista da Tendências Consultoria Integrada Alessandra Ribeiro. Para ela, a grande surpresa do setor foi a elevação da atividade apresentada no primeiro trimestre de 2011. "Agora, de fato, a indústria está sofrendo com a concorrência dos importados", acrescentou.

O economista da MCM Consultores Alexandre Antunes comentou que os dados da CNI vieram em linha com outros indicadores do setor apresentados por outras instituições. "Os índices estão condizentes com a avaliação de que o quadro está desfavorável", observou. "O desempenho industrial tem sido sofrível nos últimos meses", continuou. Essa situação leva a um descompasso entre o varejo e a produção, que vem sendo preenchido, conforme o consultor, pelas importações.

Aliás, atrás da carga tributária, a "competição acirrada" foi o segundo item mais citado pelos industriais consultados pela CNI para justificar o quadro atual de arrefecimento.

A diferença das direções dos índices dos vários ramos de atividade poderia, inicialmente, até justificar a mudança de comportamento apresentada pelo Banco Central (BC) esta semana, segundo Alessandra e Antunes. Ao elevar a Selic para 12,50% ao ano, a autoridade monetária deixou de repetir o discurso de que a necessidade de aperto seria por um período prolongado e levou muitos à interpretação de que a alta dos juros estaria para acabar. Para eles, no entanto, o BC precisa se ater mais à demanda, neste momento, do que à origem da oferta.

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