Inflação após maio deve ficar mais perto da meta, diz diretor do BC

No acumulado de 12 meses, no entanto, índice ainda deve permanecer em patamares elevados até o terceiro trimestre deste ano

Anne Warth e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

23 de maio de 2011 | 18h01

O diretor de Assuntos Internacionais e de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, disse nesta segunda-feira, 23, que o BC identificou um descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda no País. Em palestra durante o seminário "O Dinamismo do Crescimento em Questão", promovido pela Internews, o diretor disse, porém, que esse descompasso tende a recuar com a desaceleração da atividade econômica.

Segundo ele, a inflação estava sendo pressionada não apenas pela concentração, no início do ano, dos reajustes de preços administrados, pelos alimentos in natura e pela pressão no setor de Serviços. "Existem também, e ainda, elementos subjacentes na nossa inflação que apontam para um descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda", afirmou. "Entretanto, há sinais de que esse descompasso tende a recuar com a desaceleração da atividade econômica".

Awazu disse que o Banco Central trabalha com o cenário que aponta que, a partir de maio, a inflação mensal tende a se deslocar para níveis compatíveis com o centro da meta. O diretor reconheceu, no entanto, que a inflação acumulada em 12 meses tenderá a permanecer em patamares mais elevados até o terceiro trimestre deste ano, por conta do efeito calendário. "A partir do último trimestre de 2011, a inflação acumulada em 12 meses tende a se deslocar na direção da meta", frisou.

Ele reiterou que o BC vai garantir a convergência da inflação para o centro da meta em 2012. "O BC tem reagido com firmeza às pressões inflacionárias, e as condições monetárias continuarão sendo ajustadas por um período suficientemente prolongado, de modo a garantir a convergência da inflação para o centro da meta em 2012".

De acordo com Awazu, o BC reconhece que as medidas que vem sendo adotadas desde dezembro para garantir a estabilidade do sistema financeiro também afetam a demanda agregada e contribuem de forma indireta para moderar o crescimento do crédito e mitigar pressões inflacionárias. "Essas medidas já começam a mostrar resultados. O volume de novas concessões de crédito para pessoa física já está em ritmo inferior ao observado nos últimos meses. Continuaremos monitorando o impacto dessas medidas e fazendo os ajustes necessários", observou.

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