Inflação das matérias primas brutas no atacado ajuda no recuo do IGP-M

Segundo coordenador da FGV, a inflação das matérias primas agropecuárias passou de 2,29% em dezembro para 1,46% em janeiro

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2011 | 11h01

A perda de força na inflação das matérias primas brutas no atacado (de 1,34% para 1,03%) foi a principal contribuição para a desaceleração da segunda prévia do IGP-M, que recuou de 0,75% para 0,63% de dezembro para janeiro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, no atacado, o aumento das matérias primas agropecuárias passou de 2,29% para 1,46% de dezembro para janeiro; no mesmo período, a inflação dos materiais para manufaturas diminuiu de 1,65% para 0,71%.

"No atacado, não foi um movimento de desaceleração de preços concentrado apenas no setor agropecuário", disse, acrescentando que os sinais de inflação mais fraca, ou até mesmo queda de preços, foram mais "espalhados", no setor atacadista, entre a segunda prévia de dezembro e a segunda prévia de janeiro.

No entanto, o especialista fez uma ressalva. A desaceleração da inflação atacadista, que representa 60% do IGP-M, poderia ter sido mais intensa, não fosse o comportamento dos alimentos in natura, que estão caindo menos de preço (de -8,68% para -0,45%). Quadros lembrou que o começo do ano sempre conta com um aumento mais forte nos preços dos alimentos in natura, devido à menor oferta prejudicada por problemas climáticos, característicos do período.

"O que tivemos no atacado, na segunda prévia de janeiro, foi uma 'queda de braço'. De um lado, os preços das matérias-primas agropecuárias e dos materiais para manufatura contribuindo para uma taxa menor; do outro lado, os alimentos in natura com acréscimo em sua taxa de variação de preços, puxando o resultado para cima", resumiu o especialista da fundação. 

Varejo

A inflação no varejo acelerou da segunda prévia do IGP-M de dezembro para igual prévia em janeiro (de 0,81% para 0,85%) e "deve acelerar ainda mais" nas próximas apurações dos Índices Gerais de Preços (IGPs), nas palavras de Salomão Quadros. A inflação do varejo na segunda prévia de janeiro foi a mais intensa desde abril de 2003 (1,17%), para este indicador.

"É importante lembrar que a segunda prévia de janeiro só vai até o dia 10 deste mês. Muito dos preços que estão subindo em janeiro ainda não foram completamente captados pelo IGP-M", lembrou o especialista.Entre as elevações de preços que ainda devem aparecer com mais força no desempenho do indicador estão os reajustes já anunciados em mensalidades escolares e em tarifa de ônibus, cujos impactos totais, na inflação varejista, ainda não foram plenamente absorvidos pelo IGP-M.

Além disso, o especialista da fundação lembrou que os preços dos alimentos in natura estão subindo no atacado. Isso deve ser repassado em algum momento para o varejo, na avaliação do analista. Da segunda prévia de dezembro para a segunda prévia de janeiro, a inflação dos alimentos sentida pelo consumidor perdeu força (de 1,66% para 1,33%). "Esta desaceleração (nos preços dos alimentos varejo) não deve continuar por muito tempo", avaliou.

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