Inflação do aluguel atinge em maio maior taxa em 22 meses

IGP-M acelera para 1,19% no mês, ante 0,77% em abril, pressionado especialmente pela aceleração dos preços no atacado

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

28 de maio de 2010 | 08h02

 A inflação medida pelo IGP-M, cuja taxa acumulada é muito usada no cálculo de reajuste do aluguel, atingiu em maio o maior patamar desde julho de 2008. O índice, que subiu 1,19% este mês, só não foi maior do que a taxa apurada no sétimo mês de 2008, quando o IGP-M subiu 1,76%. A informação é baseada em tabela contendo a série histórica do indicador calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em abril, o indicador registrou alta de 0,77%.

Apesar da aceleração, a taxa de maio ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um resultado entre 1,12% e 1,50%, e foi inferior à mediana das projeções (1,28%).

A FGV anunciou ainda os resultados dos três sub-indicadores que compõem o IGP-M de maio. O Índice de Preços por Atacado (IPA) avançou 1,49% este mês, após subir 0,72% no quarto mês do ano. Trata-se do maior resultado nesse tipo de indicador desde julho de 2008, quando o IPA subiu 2,2%. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de 0,49% em maio, em comparação com o aumento de 0,73% no mês passado. Trata-se da menor taxa desde dezembro do ano passado, quando o índice subiu 0,20%. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou taxa positiva de 0,93% este mês, em comparação com a elevação de 1,17% em abril. Trata-se da menor taxa desde março deste ano, quando o INCC-M subiu 0,45%.

Até maio, o indicador acumula taxas de inflação de 4,79% no ano e de 4,18% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de maio foi do dia 21 de abril a 20 de maio.

Atacado

O IPA-M, que representa 60% do total do IGP-M, acumula altas de 5,31% no ano e de 3,45% em 12 meses até maio. De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas acumulam aumentos de 5,65% no ano e de 1,70% em 12 meses no âmbito do IGP-M. Já os preços dos produtos industriais registraram altas de 5,20% no ano e de 4,02% em 12 meses, de acordo com a fundação.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços das matérias-primas brutas acumularam aumentos de 8,08% no ano e de 2,76% em 12 meses, até maio.

Entre os produtos pesquisados para cálculo da inflação, o destaque absoluto nas altas de preços mais expressivas no atacado em maio ficou com o minério de ferro, que subiu 49,76% no mês, seguido por elevações nos preços de leite in natura (6,04%) e soja em grão (2,88%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em maio, foram apuradas em açúcar cristal ( -19,23%); laranja (-15,21%); e tomate (-28,70%).

Varejo

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M, acumula altas de 3,99% no ano e de 5,39% em 12 meses até maio. O IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, a desaceleração na taxa do IPC-M, de abril para maio (de 0,73% para 0,49%) foi influenciada por inflação mais fraca nos preços dos alimentos (de 2,06% para 0,56%) no mesmo período. Isso porque, nesta classe de despesa, houve quedas e desacelerações de preços em hortaliças e legumes (de 7,79% para -1,95%), laticínios (de 5,02% para 2,74%) e adoçantes (de 0,96% para -2,32%).O grupo dos alimentos foi o único a apresentar decréscimo em sua taxa de variação de preços, entre os sete pesquisados para cálculo do IPC-M.

Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de maio, foram registradas em batata-inglesa (14,41%); leite tipo longa vida (4,61%); e tarifa de eletricidade residencial (1,38%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em tomate (-21,50%); laranja pera (-7,66%); e álcool combustível (-4,98%).

Construção

A inflação na construção civil medida pelo INCC-M, que representa 10% do total do IGP-M, acumula altas de 3,46% no ano e de 6,06% em 12 meses até maio. De acordo com a fundação, a desaceleração de preços no setor, medida pela taxa do INCC-M, de abril para maio (de 1,17% para 0,93%), foi influenciada por taxas de inflação menos intensas em mão de obra (de 1,73% para 1,41%) e em materiais, equipamentos e serviços (de 0,65% para 0,48%).

Na análise por produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil, no âmbito do IGP-M, foram registradas em servente (1,71%); ajudante especializado (0,74%); e pedreiro (1,53%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em vergalhões e arames de aço ao carbono ( -0,92%); metais para instalações hidráulicas (-0,31%); e massa corrida para parede - PVA (-0,64%).

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