Inflação do aluguel desacelera e fica em 0,15% em agosto, calcula FGV

A variação acumulada do IGP-M em 2013 é de 2,16%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses até agosto é de 3,85%

Beatriz Bulla e Maria Regina Silva, da Agência Estado,

29 de agosto de 2013 | 08h21

Texto atualizado às 14h06

SÃO PAULO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que mede a inflação dos aluguéis, desacelerou de 0,26% em julho para 0,15% em agosto, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta quinta-feira, 29. O resultado do IGP-M de agosto ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, de 0,08% e 0,24%, e igual à mediana de 0,15%.

Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA-M saiu de 0,30% em julho para 0,14% em agosto. Na mesma base de comparação, o IPC-M saiu de uma variação negativa de 0,07% para positiva 0,09%.  

O INCC-M recuou de 0,73% para 0,31%. A variação acumulada do IGP-M em 2013 é de 2,16%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses até agosto é de 3,85%.

O IGP-M deve acelerar no próximo mês na comparação com agosto. A avaliação foi feita há pouco pelo coordenador dos IGPs da FGV, Salomão Quadros. "A soja subiu nos últimos dias (exterior) e deve chegar; o minério de ferro também está acelerando e começando a ser incorporado nos IGPs. Tem ainda o processo de transferência da alta do dólar, que tende a prosseguir", avaliou, ao referir-se especificamente à nova elevação da moeda norte-americana, no nível de R$ 2,40 recentemente.

O aumento do grão citado pelo professor ainda não atingiu o IGP-M de agosto, que arrefeceu a 0,15%, após alta de 0,26% em julho, influenciado especialmente pelas commodities agrícolas (de alta de 0,45% para baixa de 0,60%) no atacado. "A desaceleração está toda concentrada nas matérias-primas agropecuárias", afirmou.

Já a taxa do IGP-M acumulado em 12 meses até agosto caiu para 3,85% ante 5,18%. A despeito da expectativa de intensificação na taxa mensal em setembro, o economista disse que a variação em 12 meses tende a diminuir em relação a igual período do ano passado. O IGP-M acumulado em 12 meses até setembro de 2012 fora de 8,07% e possivelmente será bem menor este ano, previu o professor. "Dificilmente deve chegar ao que vimos no ano passado. Deve ficar muito abaixo de 7%, 8%", afirmou.

De acordo com Quadros, tanto os preços no atacado como no varejo devem continuar refletindo a desvalorização cambial, que está entrando gradualmente no índice, que ainda não captou o pico da pressão de alta do dólar. Com isso, o repasse pode se intensificar em setembro.

Segundo o economista, apesar da depreciação cambial e das notícias recentes de que a safra de grãos nos EUA poderá ficar aquém do esperado, ainda há muitas incertezas. "Mas acredito que a colheita não deverá ser um desastre. Já há novas boas notícias. Por isso não podemos tirar conclusões. É um pouco complicado até que a safra chegue", ponderou.

"Devemos ver o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) subindo e também o IPC (Índice de Preços ao Consumidor)", estimou, lembrando que o varejo já não conta mais com o benefício da revogação do reajuste das tarifas de ônibus e que o grupo Alimentação deverá continuar pressionando o IGP-M.

De acordo com Quadros, o único da trazer alívio ao índice cheio deve ser o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que desacelerou a 0,31% em agosto, depois de variação de 0,73%, diante da ausência de novos reajustes salariais no setor.

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