Inflação do aluguel desacelera na 2ª prévia do mês

Até a segunda prévia de outubro, o IGP-M acumula aumentos de 4,67% no ano e de 6,92% em 12 meses, diz FGV

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

20 de outubro de 2011 | 08h28

A inflação avançou com menor intensidade na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). O indicador subiu 0,50% em outubro, segundo informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em setembro, a segunda prévia do índice mostrou alta de 0,52%.  

A taxa acumulada do IGP-M é usada no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de outubro, o IGP-M acumula aumentos de 4,67% no ano e de 6,92% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da segunda prévia do IGP-M deste mês foi do dia 21 de setembro a 10 de outubro.

O resultado mensal de 0,50% de outubro ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado (de 0,35% a 0,57%) e levemente abaixo da mediana das expectativas (0,51%). Na avaliação da FGV, os alimentos mais baratos levaram à desaceleração do indicador

No caso dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de outubro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo - Mercado (IPA-M), que mede a inflação no atacado, subiu 0,66% na prévia anunciada hoje, após subir 0,59% em igual prévia do mesmo índice em setembro. Por sua vez, o indicador do varejo - Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M) - teve alta de 0,23% na segunda prévia deste mês, em comparação com a taxa positiva de 0,52% na segunda prévia do mês passado.

Já o Índice Nacional de Custos da Construção - Mercado (INCC-M) registrou taxa positiva de 0,12% na segunda prévia do indicador deste mês, após registrar elevação de 0,09% na segunda prévia de setembro. A inflação no setor medida pelo INCC-M acumula aumentos de 6,59% no ano e de 7,61% em 12 meses, até a segunda prévia do IGP-M de outubro.

A leve aceleração na taxa do INCC-M, da segunda prévia do IGP-M de setembro para a segunda prévia de outubro (de 0,09% para 0,12%) foi influenciada por taxa de inflação mais intensa nos preços de materiais, equipamentos e serviços (de 0,18% para 0,22%), no mesmo período.

Entre os produtos pesquisados, as mais expressivas altas de preço na construção civil na segunda prévia de outubro foram registradas em projetos (0,83%); elevador (0,59%); e refeição pronta no local de trabalho (1,29%). Já as mais expressivas quedas de preços foram registradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,34%); condutores elétricos (-0,57%); e argamassa (-0,26%).

Agropecuária e indústria

A inflação agropecuária perdeu fôlego no atacado. Os preços dos produtos agropecuários atacadistas subiram apenas 0,07% na segunda prévia do IGP-M de outubro, em comparação com o avanço de 1,33% na segunda prévia do mesmo índice em setembro. Segundo a FGV, os preços dos produtos industriais assumiram trajetória contrária a dos agrícolas, e voltaram a acelerar, com alta de 0,87% na segunda prévia de outubro, em comparação com o aumento de 0,33% na segunda prévia de setembro.

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais caíram 0,24% na segunda prévia de outubro, após avançarem 0,42% na segunda prévia de setembro. Já os preços dos bens intermediários apresentaram alta de 0,99% na prévia divulgada hoje, em comparação com o recuo de 0,13% na segunda prévia do IGP-M de setembro. Por fim, os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa positiva de 1,27% na segunda prévia de outubro, em comparação com a elevação de 1,72% na segunda prévia de setembro.

Previsão

Para a FGV, o bom comportamento da inflação deve prosseguir em outubro, principalmente no varejo, onde os preços dos alimentos podem continuar a cair. Isso, na prática, pode conduzir taxas menores nos Índices Gerais de Preços (IGPs) em comparação com setembro.

Até a segunda prévia de outubro, IGP-M acumula altas de 4,67% no ano e de 6,92% em 12 meses. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, os preços dos alimentos em queda provocaram o enfraquecimento da inflação no varejo (de 0,52% para 0,23%), de setembro para outubro. "Foi o varejo o grande responsável pela taxa menor da segunda prévia", afirmou.

Mas o dólar em alta em setembro e no início de outubro ainda puxou para cima os preços de alguns itens no atacado, principalmente o minério de ferro (5,53%). Tanto que a inflação atacadista acelerou (de 0,59% para 0,66%). Isso impediu desaceleração mais forte na variação da segunda prévia de outubro.

Mas Quadros minimizou o efeito cambial na inflação. Ele lembrou que o dólar apresenta atualmente patamar praticamente estável. Se este comportamento prosseguir, isso deve diminuir a influência da cotação na moeda norte-americana na evolução de itens com preços dolarizados no atacado - que em setembro ajudou a puxar para cima a inflação dos IGPs. "Creio que em novembro não falaremos mais sobre impacto do câmbio na inflação com tanta freqüência, se a situação cambial continuar como está agora", afirmou.

Já os preços na construção civil aceleraram (de 0,09% para 0,12%) de setembro para outubro.

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