Inflação do aluguel reduz ritmo de alta para 0,43% em maio

Segundo a FGV, IGP-M acumula elevação de 3,33% no ano e de 9,77% em 12 meses; em abril, índice avançou 0,45%

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 08h17

A inflação medida pelo IGP-M desacelerou levemente e subiu 0,43% em maio, após avançar 0,45% em abril. A informação foi anunciada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam um resultado entre 0,44% e 0,74%, com mediana de 0,59%.

O IGP-M de maio apresentou o menor resultado desde julho do ano passado, quando subiu 0,15%. A informação consta de tabela com a série histórica do indicador.

A FGV anunciou ainda os resultados dos três sub-indicadores que compõem o IGP-M de maio. O IPA-M avançou 0,03% este mês, após subir 0,29% no quarto mês do ano. Este é o menor resultado nesse tipo de indicador desde dezembro de 2009 quando o IPA-M caiu 0,50%. Por sua vez, o IPC-M apresentou alta de 0,90% em maio, em comparação com o aumento de 0,78% no mês passado. O indicador registrou a maior taxa desde janeiro deste ano, quando avançou 1,08%. Já o INCC-M registrou taxa positiva de 2,03% este mês, em comparação com a elevação de 0,75% em abril. O INCC-M apresentou a maior taxa desde junho de 2008, quando subiu 2,67%.

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até maio, o indicador acumula taxas de inflação de 3,33% no ano e de 9,77% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de maio foi do dia 21 de abril a 20 de maio.

Produtos agrícolas

A deflação nos preços dos produtos agrícolas se intensificou este mês, com queda de 1,84% em maio, em comparação com o recuo de 0,25% observado em abril, no âmbito do IGP-M.  De acordo com a FGV, ainda no atacado, os preços dos produtos industriais assumiram trajetória contrária e aceleraram, com alta de 0,72% em maio, após apresentarem elevação de 0,49% em abril.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais caíram 0,11% em maio, em comparação com a alta de 0,71% em abril. Por sua vez, os preços dos bens intermediários registraram elevação de 0,44% este mês, em comparação com a alta de 0,58% em abril. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram queda mais fraca, de 0,35% em maio, após caírem 0,57% no mês passado.

Varejo

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M acumula altas de 4,12% no ano e de 6,22% em 12 meses até maio. O IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, a aceleração na taxa do IPC-M, de abril para maio (de 0,78% para 0,90%) foi influenciada por acréscimos nas taxas de variação de preços de cinco das sete classes de despesa pesquisadas para cálculo do indicador. Entre os destaques, estão as acelerações de preços apuradas nos grupos Habitação (de 0,37% para 0,84%) e Alimentação (de 0,87% para 1,09%), que foram pressionados por aumentos de preços expressivos em taxa de água e esgoto residencial (de 0,00% para 2,84%) e em hortaliças e legumes (de 3,89% para 6,13%), respectivamente.

As outras classes de despesa usadas para cálculo do indicador que também mostraram avanço de preços no período foram Vestuário (de 1,02% para 1,14%), Despesas Diversas (de 0,45% para 0,49%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,86% para 0,89%). Já os dois grupos restantes apresentaram desaceleração de preços. É o caso de Transportes (de 1,75% para 1,14%) e de Educação, Leitura e Recreação (de 0,39% para 0,22%).

Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo no IGP-M de maio foram registradas em batata-inglesa (27,97%); gasolina (4,08%); e tarifa de eletricidade residencial (1,80%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em laranja-pera (-13,11%); álcool combustível (-3,61%); e laranja-lima (-19,87%).

Construção

A inflação na construção civil medida pelo INCC-M acumula altas de 4,04% no ano e de 8,18% em 12 meses até maio. O INCC-M representa 10% do total do IGP-M.

De acordo com a fundação, a aceleração de preços no setor medida pela taxa do INCC-M, de abril para maio (de 0,75% para 2,03%), foi influenciada por taxas de inflação mais intensas em mão de obra (de 1,16% para 3,70%) e em materiais, equipamentos e serviços (de 0,36% para 0,45%).

Na análise por produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil, no âmbito do IGP-M, foram registradas em ajudante especializado (3,72%); servente (3,79%); e pedreiro (3,72%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em vergalhões e arames de aço ao carbono ( -0,94%); placas e cerâmicas para revestimento (-0,58%); e tábua de 3ª (-0,04%).

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