Inflação do produtor sobe 1,5% em janeiro, a 2ª maior alta da história

O IPP acumula alta de 7,38% em 12 meses até janeiro, segundo cálculos do IBGE

Idiana Tomazelli, da Agência Estado,

28 de fevereiro de 2014 | 09h32

A inflação do produtor, medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP), registrou alta de 1,5% em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira, 28. Em dezembro de 2013, a taxa foi revisada de 0,60%, conforme dado revisado (0,65% na leitura inicial).

A alta em janeiro foi a segunda maior de toda a série histórica do índice, iniciada em janeiro de 2010. O resultado do mês passado só perde para maio de 2012, quando o IPP registrou alta de 1,69%.

O indicador acumula alta de 7,38% em 12 meses até janeiro. O IPP mede a evolução dos preços de produtos na "porta da fábrica", sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria de transformação.

Câmbio. Ao contrário do que ocorreu em alguns meses de 2013, a desvalorização do real ante o dólar não foi o principal impulso para que o IPP chegasse a 1,5% em janeiro deste ano, a segunda maior taxa da série histórica. "O dólar não aumentou tanto nesse mês (janeiro). Então, aqueles setores ligados ao câmbio tiveram aumentos mais amenos, enquanto atividades que não são tão ligadas ao dólar subiram bastante", disse o gerente do IBGE, Alexandre Brandão.

Em janeiro, segundo o gerente, o dólar se valorizou 1,58% em janeiro, um ritmo bem menor do que os 4,89% verificados em novembro de 2013, por exemplo. Naquele mês, o IPP teve alta de 0,64%, depois de cair 0,45% em outubro.

A metalurgia, por exemplo, não é tão influenciada pelo câmbio, segundo Brandão. Mesmo assim, a alta foi de 4,26% em janeiro, uma das maiores entre as atividades pesquisadas. "O que as empresas explicaram que foi o ambiente de mercado. Dá a impressão de que eles estão se reposicionando, acharam que o momento era propício para aumentar preço", disse Brandão.

A alta de 2,70% em papel e celulose também foi influenciada por fatores internos. "Tem mais a ver com cadernos, o que deve refletir as compras de início de ano para as aulas", explicou o gerente do IPP. No fumo, a alta de 3,14% veio do preço dos cigarros no mercado doméstico, e não da matéria-prima (que, esta sim, sofre interferência do câmbio).

Apesar disso, Brandão não descarta que algumas atividades, como a de móveis (3,16%), estejam incorporando efeitos do câmbio de meses atrás, com alguma defasagem.

Atividades. A alta em janeiro foi disseminada, segundo o IBGE. Das 23 atividades pesquisadas, 19 apresentaram taxa positiva no mês passado.

As quatro maiores variações partiram dos produtos de refino de petróleo e álcool (4,51%), metalurgia (4,26%), móveis (3,16%) e fumo (3,14%). Em termos de influência, segundo o IBGE, os maiores impactos vieram de petróleo e produtos de álcool (0,50 ponto porcentual), metalurgia (0,33 pp) e outros produtos químicos (0,23 pp).

Os alimentos tiveram deflação de 1,25% no IPP de janeiro e deram contribuição de -0,25 ponto porcentual ao índice do mês passado. Apesar disso, a forte aceleração levou a taxa em 12 meses de5,69% em dezembro para 7,38% em janeiro.

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