Inflação do setor de serviços contamina outros preços da economia

BC acredita que a estratégia de desacelerar a economia, contendo o ímpeto do mercado de trabalho e do aumento da renda, vai conter os preços dos serviços

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

28 de fevereiro de 2011 | 09h54

A inflação no setor de serviços entrou mais fortemente no radar do Banco Central (BC), que analisando o setor constatou que os desvios da inflação de serviços, além de significativos, têm se "alargado" na economia brasileira, trazendo riscos maiores para o controle da escalada dos preços e exigindo uma atenção redobrada, a partir de agora. A identificação do tamanho do problema está clara, mas não as formas de atacá-lo. O BC não aponta alternativas para equacionar a alta de preços, mas acredita que a estratégia de desacelerar a economia, contendo o ímpeto do mercado de trabalho e do aumento da renda, vai conter os preços dos serviços.

A avaliação do BC é a de que a inflação de serviços não é um fenômeno exclusivo do momento atual, mas se torna cada vez mais perigosa. Essa pressão vem persistindo já algum tempo, como consequência, em parte, de uma mudança estrutural da economia brasileira. É que, com o aumento da renda média do trabalhador e da ascensão de classes sociais, mais brasileiros tem conseguido aumentar o consumo de serviços antes inacessíveis. Como se trata de um setor menos competitivo, a sua produtividade cresce mais lentamente do que em setores sujeitos à concorrência internacional, por exemplo.

Na semana passada, o diretor de Normas e de Assuntos Internacionais, José Awazu Pereira, fez um discurso na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) sobre as causas da inflação e a atuação do Banco Central, chamando a atenção para a dificuldade de se controlar os preços dos serviços e defendeu que o governo faça reflexões mais "aprofundadas" sobre essa questão. A preocupação é que aumentos pontuais nesse setor possam mesmo se alastrar e contaminar outros preços da economia. Nesse sentido, Awazu indica que somente o uso de instrumentos convencionais de política monetária podem "garantir que as pressões inflacionárias de curto prazo não se propaguem para horizontes de mais longos prazos".

Para o BC, o comportamento dos preços internacionais das commodities agrícolas tem impactado negativamente a dinâmica inflacionária brasileira - foi o fator que mais contribuiu para a deterioração do quadro inflacionário no último trimestre de 2010 -, mas que não é o único que está pressionado a inflação corrente no Brasil. Outros dois fatores merecem atenção, segundo o BC. Em primeiro lugar, a concentração atípica de choques, por um lado, em preços administrados, como as tarifas de transportes públicos, e de alimentos in natura, decorrentes principalmente de efeitos climáticos adversos, como as chuvas excessivas que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro no início deste ano. O segundo fator é justamente a pressão de preços no setor serviços.

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