Inflação e infraestrutura são maiores desafios de Dilma, diz Miguel Jorge

Para ex-ministro, governo precisa se aliar a iniciativa privada para conseguir executar mais obras de infraestrutura; ele acredita que, até o final do ano, inflação deve 'estar sob controle'

Guilherme Soares Dias, da Agência Estado,

27 de maio de 2011 | 17h23

O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge afirmou nesta sexta-feira, 27, que o grande desafio do governo Dilma nos próximos meses é manter a inflação sob controle e investir em infraestrutura. Durante entrevista a AE TV da Agência Estado, o ex-ministro observou que a inflação acumulada no ano até abril, de 3,23%, é resultado de fatores circunstanciais. "Até o fim do ano vai estar sob controle, acima do centro da meta, mas ainda dentro do estimado", disse.

Questionado se a inflação é herança do governo Lula, o ex-ministro afirma que o problema de inflação no País é decorrente do crescimento da economia. "Ou crescemos ou fazemos com que o País pare", disse, lembrando que a demanda crescente é composta primordialmente de "primeira demanda". "Há 30 milhões de pessoas que adentraram a classe média e estão consumindo, comprando seus primeiros produtos", afirmou. Ele recordou que o crescimento do crédito, que representava 20% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 e passou para 45% do PIB em 2010, é um dos propulsores desse movimento. "Isso é positivo, mas é preciso controlar os gastos públicos, com sintonia fina na questão da taxa de juros", afirmou.

Miguel Jorge ressaltou ainda que as obras de infraestrutura são primordiais para garantir o crescimento econômico e que o governo precisa se aliar a iniciativa privada para conseguir executá-las. "O governo não terá dinheiro para fazer tudo que precisamos, o que faz com que a iniciativa privada seja necessária nesse processo de modernização do País", afirmou. Ele lembrou que quando era ministro só andava de voo comercial e que se todos os ministros fizessem o mesmo, saberiam das dificuldades enfrentadas pelas pessoas. "Os aeroportos estão em situação total saturação", concluiu.

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